sábado, 24 de junho de 2017

24 de Junho de 1812: Napoleão Bonaparte inicia a invasão da Rússia

No dia 24 de Junho de 1812, o chamado "Grande Exército" do imperador Napoleão I atravessou o rio Niemen e forçou as fronteiras do império do czar Alexandre I. As tropas napoleónicas, reforçadas por cerca de 700 mil combatentes, penetraram sem dificuldades no interior da Rússia até Moscovo. Contudo, diante da resistência moscovita e da recusa da Rússia em negociar, Napoleão ordenaria a retirada. Esta operação mostrou-se desastrosa devido ao rigor do Inverno e à falta de abastecimento e apoio logístico. Em 30 de Dezembro, o exército, reduzido a cerca de 50 mil homens, cruzaria o Niemen de volta. 
  
Após a rejeição por parte do czar Alexandre I do Bloqueio Continental proposto por Napoleão, o imperador francês ordena que o seu Grande Armée, a maior força militar até então reunida, preparasse a invasão da Rússia. O enorme exército incluía tropas de todos os países europeus sob o domínio do império francês.
  
Durante os primeiros meses da invasão, Napoleão foi forçado a combater contra um aguerrido exército russo em constante recuo. Recusando-se a confrontar-se com todo o seu potencial perante as forças de Napoleão, as tropas russas sob o comando do general Mikhail Kutuzov aplicava a estratégia de terra arrasada, queimando tudo à medida que recuava cada vez mais profundamente em território russo. Em 7 de Setembro, travou-se a inconclusa batalha de Borodino em que ambas as partes sofreram terríveis baixas. Em 14 de Setembro, Napoleão chega às portas de Moscovo na esperança de lá encontrar os suprimentos de que necessitava crucialmente. Porém, ao investir, encontrou a cidade com quase toda a população evacuada e o exército russo novamente a recuar. Logo no começo da manhã seguinte, patriotas russos abrem fogo por toda a cidade e os quartéis de Inverno do Grande Armée são destruídos. 

Depois de esperar um mês pela rendição, que nunca aconteceu, Napoleão, deparando-se com a chegada do intenso Inverno russo, viu-se obrigado a ordenar que o seu famélico e exausto exército deixasse Moscovo em retirada. 
  
Durante a desastrosa retirada, o exército de Napoleão sofreu um contínuo assédio de um repentinamente agressivo e impiedoso exército russo. Acossado pela fome e pelas investidas mortais dos cossacos, o dizimado exército alcança as margens do rio Berezina, no final de Novembro, mas vê o seu caminho bloqueado pelas tropas russas. Em 27 de Novembro, forçou a passagem pelo rio Studenka ("gelado", em russo) e, quando o grosso do exército atravessou o rio dois dias depois, foi obrigado a queimar as pontes provisórias atrás de si, abandonando à sua própria sorte cerca de 10 mil soldados perdidos no outro lado do rio. 

A partir dali, a retirada tornou-se praticamente uma fuga. Em 8 de Dezembro, Napoleão permitiu que o que restou do seu exército retornasse a Paris. Seis dias mais tarde, finalmente o Grande Armée escapou da Rússia, tendo sofrido uma perda de mais de 600 mil homens durante a desastrosa invasão.
Fontes:Opera Mundi
wikipedia (imagens)
Napoleão e as suas tropas próximo de Borodino 
A retirada de Napoleão de Moscovo - Adolph Northen 

24 de Junho de 1519: Morre Lucrécia Bórgia

Lucrécia Bórgia nasceu em Roma no ano de 1480, filha de Rodrigo Bórgia mais tarde papa Alexandre VI e de uma das suas concubinas favoritas, Vanozza Cattanei. Para além de Lucrécia, Rodrigo e Vanozza tiveram mais três filhos, César (1475) Giovanni (1474) e Gioffre (1481). O cardeal Bórgia confiou a educação de Lucrécia  a uma jovem viúva, Adriana Orsini, sua prima e confidente, que introduziu Lucrécia no conhecimento das artes mais cultas e refinadas. Com Adriana aprendeu latim, grego, italiano, castelhano e francês, bem como música, canto e desenho.
Lucrécia casa-se com Giovanni Sforza em Junho de 1493, não se tendo consumado o casamento devido à idade da noiva (13 anos). Devido à política de alianças dos Bórgia, o casamento de Lucrécia com Giovanni Sforza deixa de ter interesse, e a presença de Giovanni Sforza na corte papal era supérflua. Giovanni Sforza acusa Lucrécia de incesto com os seus irmãos e até com o próprio pai, acusações que nunca vieram a ser provadas. O papa afirmou que o casamento da sua filha não tinha sido consumado e era, portanto, inválido.Em seguida, começou um longo processo para permitir a anulação do casamento. Argumentou-se que a relação tinha sido estéril. 
Em Dezembro de 1494, dois membros da cúria confirmaram que Lucrécia era virgem e ela retirou-se para o convento de S. Sisto em Roma aparecendo pouco tempo depois grávida. A paternidade da criança é amplamente discutida até aos dias de hoje. Em Março de 1498, o embaixador de Ferrara afirmou que Lucrécia tinha dado à luz, mas isto foi negado por outras fontes. No entanto, uma criança nasceu na família Bórgia um ano antes do casamento de Lucrécia com Afonso de Aragão; foi baptizado com o nome de Giovanni, mas é conhecido como oInfante Romano. Em 1501, duas bulas papais foram emitidas sobre a criança. Na primeira, foi reconhecido como filho de César de um caso antes do seu casamento. A segunda bula, contraditória, reconheceu-o como o filho do Papa Alexandre VI.O nome de Lucrécia não é mencionado em qualquer uma delas, e os rumores de que ela era sua mãe nunca foram provados. 

Lucrécia casa-se pela segunda vez  com 18 anos  em 1498  com um jovem de 17, Afonso de Aragão, duque de Biscegli.  Lucrécia ficou grávida e a pedido de seu irmão César, vai com o marido para Roma para que lá nascesse o filho que, viria a chamar-se de Rodrigo.Afonso  aparece mais tarde assassinado (1500). Lucrécia Bórgia passou à história como a culpada deste assassinato. Dizia-se que Biscegli fora vítima de um de seus venenos, apesar de a acusação não ter fundamento algum.
Em 30 de Dezembro de 1501 Lucrécia casa-se com Afonso d´Este filho do poderoso Duque de Ferrara.
Com a morte do sogro em 1505, ela e marido herdaram o ducado de Ferrara. No mesmo ano, deu à luz o filho, Afonso. A criança morreu semanas depois, mas três anos depois o casal teve outro menino, Hércules. Depois deste, vieram outros filhos: Hipólito (1509), Francesco (1516), Alexandre (1514), Eleanora (1515), e Isabel Maria (1519). Um ano após a sua nomeação como duquesa, Lucrécia fica como regente em Ferrara. Aproveitando a oportunidade mostrou outra simpatia comum de sua família: a vontade de ajudar o povo judeu, criando um édito que proibia terminantemente qualquer tipo de discriminação contra os judeus. Lucrécia em Ferrara formou a chamada "Corte das Letras" Para além de escritores e poetas, na sua corte reuniam-se pintores como Ticiano e Veneto, entre outros. Em 1508, Lucrécia recebe o humanista Erasmo.
Lucrécia faleceu a 24 de Junho de 1519, aos 39 anos de idade devido a complicações após dar à luz o seu oitavo filho.
Foi uma figura destacada do renascimento, período de grandes acontecimentos culturais intelectuais e políticos. Filha de um homem controverso com muitos inimigos esteve sempre envolvida em boatos e polémicas que nunca foram confirmados. 
Fontes: The Borgias - Lucrezia
aprendemos-vícios e virtudes Lucrécia Bórgia
wikipedia (Imagens)
Retrato de Lucécia Bórgia - Bartolomeo Veneto 
Retrato de Lucrécia Bórgia - Dosso Dossi
Um copo de vinho com César Borgia - John Collier
César oferece vinho a um convidado. Ao lado dele estão Lucrezia e Alexandre VI

24 de Junho de 1360: Nasce D. Nuno Álvares Pereira

Cavaleiro militar português, nasceu em 1360, em Cernache do Bonjardim, filho ilegítimo do Prior da Ordem Militar do Hospital. A sua educação foi feita segundo os ideais da cavalaria medieval. Aos 13 anos foi apresentado na corte, onde logo se fizeram notar as suas qualidades e o seu génio militar, e tornou-se escudeiro da rainha D. Leonor Teles, esposa do rei D. Fernando. Aos 16 anos, por imposição do pai e apesar da sua resistência, casou com D. Leonor Alvim, senhora de grandes terras, de quem teve três filhos, entre eles D. Beatriz, que veio a casar com o príncipe D. Afonso, filho de D. João I, e que viria a ser o 1.o duque de Bragança. Entretanto, Nuno Álvares Pereira tomou contacto com as tropas inglesas estacionadas em Portugal, o que refinaria ainda mais as suas grandes qualidades de estratega militar.

Com a morte de D. Fernando, em 1383, e estando em causa a independência nacional, gera-se a revolta popular e todo um processo de luta contra as pretensões castelhanas em que Nuno Álvares Pereira vai ter um papel preponderante. Segue-se um período de lutas constantes entre os partidários de Castela e os defensores da independência de Portugal. A sua primeira grande vitória dá-se na Batalha dos Atoleiros, em 1384. Em 1385, nas Cortes de Coimbra, o Mestre de Avis é aclamado rei de Portugal e Nuno Álvares Pereira é nomeado Condestável do Reino. A luta contra os opositores de D. João I continua e dá-se a batalha decisiva de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385. Apesar da desigualdade de forças entre os dois exércitos, os portugueses obtêm uma vitória esmagadora, graças ao génio militar do Condestável, que pôs em prática as novas táticas de guerra que aprendera com os ingleses, além de ter escolhido o melhor local para o embate e tendo os combatentes portugueses uma confiança ilimitada no seu comando.Em outubro de 1385, em Valverde, alcança nova vitória sobre os castelhanos, e continua a participar nos sucessivos confrontos, cada vez mais raros, que entretanto se verificaram, até que, em 1411, Castela reconheceu a independência de Portugal.
Com o consolidar da paz com Castela, Nuno Álvares Pereira, que entretanto fora cumulado com sucessivas doações de terras e bens, vai dedicar-se a obras de bem-fazer. Em 1393 distribui muitas das suas terras pelos companheiros de armas. Estando ele viúvo desde 1388, em 1414 morre-lhe a filha, D. Beatriz. Vai dar então novo rumo à sua vida, dedicando-se mais aos trabalhos agrícolas nos seus domínios de Vila Viçosa. Entretanto, ainda participou, em 1415, na conquista de Ceuta. Mas em 1422 reparte pelos netos os seus títulos e bens e em 1423 professa no Convento do Carmo, que ajudara a construir, tomando o nome de Nuno de Santa Maria, onde passa os últimos anos da sua vida, entregue à penitência e servindo os pobres. Veio a falecer em 1431. em vida era conhecido como o Santo Condestável, e foi beatificado pela Igreja em 23 de janeiro de 1918, sendo venerado a 6 de novembro.
 D.Nuno Álvares Pereira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013
 wikipedia (Imagens)
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Nuno Alvares Pereira a rezar antes da batalha de Aljubarrota, em azulejos de Jorge Colaço no Centro Cultural 



Rodrigues de Faria

24 de Junho de 1128: Batalha de São Mamede, D. Afonso Henriques vence as tropas da sua mãe, D.ª Teresa.

Batalha travada a 24 de junho de 1128 "in campo Sancte Mametis quod est prope castellum de Vimaranes". Desde 1112, ano da morte do seu esposo, D. Teresa detinha o governo do condado Portucalense tendo a seu lado fidalgos castelhanos, nomeadamente Fernão Peres de Trava, com quem, pensa-se, terá mantido uma relação marital. desde 1127 o infante Afonso Henriques mantinha discórdias importantes com sua mãe; tentou por este motivo apoderar-se do governo do Condado.
As tropas do infante e dos barões portucalenses enfrentaram as de Fernão Peres de Trava e dos seus partidários portugueses e fidalgos galegos no dia de S. João Batista do referido ano de 1128. A vitória foi para D. Afonso Henriques. O cronista do mosteiro de Santa Cruz aproveitou a coincidência da data da batalha com a festa religiosa para exaltar o acontecimento, conseguindo colocá-lo ao nível das intervenções divinas. S. João Batista tinha sido o anunciador de Jesus Cristo pelo facto de a batalha se ter dado na data em que se venera esse santo e a vitória ter sorrido a D. Afonso Henriques. Tal facto é, para o cronista, prova de que o infante era, também ele, o anunciador do aparecimento de um novo reinado.Efetivamente, esta batalha foi decisiva, pois com ela mudaram os detentores do poder no condado (expulsão de D. Teresa e do "seu conde") e mudaram ainda as relações das forças sociais para com o próprio poder. Os barões portucalenses, ao escolherem D. Afonso Henriques para seu chefe, recusavam-se a aceitar a política da alta nobreza galega e do arcebispo de Compostela; por esta via estavam a inviabilizar um reino que englobasse Portugal e a Galiza. Desencadearam uma corrente independentista capaz de subsistir por si e capaz de resistir a todas as tentativas posteriores de reabsorção. A localização exata do campo de batalha é ainda pouco precisa; sabe-se, no entanto, que a refrega se deu, sem qualquer dúvida, perto de Guimarães.
Batalha de S. Mamede. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
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A Batalha de S. Mamede
Miniatura medieval que representa Teresa de Leão, condessa de Portugal (à direita), sua irmã Urraca I de Leão e Castela (centro) e Fernão Peres de Trava (à esquerda). Manuscrito gótico do mosteiro de Toxosoutos

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D. Afonso Henriques

sexta-feira, 23 de junho de 2017

23 de Junho de 1940: Inauguração da Exposição do Mundo Português

A Exposição do Mundo Português merece ser considerada uma das grandes iniciativas político-culturais do Estado Novo, em razão dos meios empregues e do significado ideológico que lhe estava subjacente. Decorreu em 1940, no contexto de uma dupla comemoração: oito séculos depois de 1140, data entendida como a da independência nacional, e três séculos passados sobre a Restauração.

Nesse período de comemorações e de grande atividade cultural realizou-se, por exemplo, o restauro de monumentos nacionais, a exposição dos "Primitivos Portugueses" e a reabertura do Teatro S. Carlos. Mas, do vasto programa de realizações culturais de 1940 destacava-se este evento.
A opção estética adotada nas comemorações provocou violentas críticas por parte dos artistas académicos, que se sentiram negligenciados, liderados pelo Coronel Arnaldo Ressano Garcia, caricaturista e presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA). Este proferiu duas conferências na SNBA, a 19 e 20 de abril de 1939, onde atacou os modernistas, recorrendo ao exemplo de Hitler, que, segundo dizia, "varreu os museus de todas as imundices artísticas" ao contrário de Mussolini, muito citado por António Ferro, que na sua opinião se revelara um fracasso no plano artístico. Neste confronto quem ficou a perder foi Arnaldo Ressano Garcia e com ele os académicos, definitivamente afastados da ribalta cultural de então. Nesta era de grandiosas comemorações de datas importantes na história nacional, usadas como eficaz propaganda do regime, foi instalada no Terreiro de Belém a Exposição do Mundo Português, que tinha como presidente da Comissão Executiva Júlio Dantas. Entre os outros nomes em destaque encontravam-se António Ferro (responsável pela parte secretarial da Comissão Executiva) e Cottinelli Telmo.
A Exposição teve lugar na zona lisboeta de Belém, junto ao Rio Tejo. O certame era composto por secções de História, Etnografia e do Mundo Colonial. Entre os inúmeros pavilhões destacavam-se os seguintes: da Honra e de Lisboa (Cristino da Silva), da Fundação, Formação e Conquista, da Independência, dos Descobrimentos (Pardal Monteiro), da Colonização, dos Portugueses no Mundo (Cottinelli Telmo) e ligada a este o pavilhão de Portugal de 1940 dirigido por António Ferro; de Etnografia Metropolitana com a Reconstrução das Aldeias Portuguesas (Segurado), da Vida Popular (Veloso Reis), o colonial com a reprodução da vida ultramarina e o Pavilhão do Brasil do teorizador da Casa Portuguesa (Raul Lino), que parecia refletir o "glorioso prolongamento da nossa civilização atlântica". Do conjunto surgia a imagem de Portugal como cabeça de um majestoso império e dono de um passado de glórias invulgares. Junto da Torre de Belém foi montada uma caravela, da responsabilidade de Leitão de Barros e Martins Barata, e o "Padrão dos Descobrimentos" que, de uma forma simbólica encerravam a exposição. A direção e planificação dos trabalhos foi entregue a Cottinelli Telmo (1897-1948), um artista multifacetado, conhecido, sobretudo, pela sua obra arquitetónica. Nesta grandiosa realização cosmopolita trabalhou a maioria dos artistas modernistas (12 arquitetos, 19 escultores e 43 pintores), com a exceção de Soares, Eloy, Cassiano Branco e Keil do Amaral, numa época em que Portugal parecia alheado do resto da Europa a viver o horror da guerra. Aliás, esse era um dos objetivos do evento: demonstrar a eficácia governativa do regime, capaz de manter Portugal longe dos problemas mundiais devastadores, numa aparente atmosfera de progresso e de prosperidade.
Em paralelo com a Exposição, fez-se um Congresso do Mundo Português, que contou com a participação de centenas de historiadores. Com a Exposição coincidiu ainda a efetivação de um ambicioso plano de obras públicas, com o arranque de muitos projetos, especialmente em Lisboa e arredores, e a inauguração de outros, como o Estádio Nacional.



Exposição do Mundo Português. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
wikipedia (Imagens)


Vista geral

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Capa do Guia Oficial da Exposição