domingo, 30 de abril de 2017

30 de Abril de 1945: Segunda Guerra Mundial, Adolf Hitler suicida-se

No momento em que as tropas do Exército Vermelho já invadiam as ruas desertas e destruídas de Berlim e esmagavam as tropas nazis, o führer Adolf Hitler, ditador da Alemanha, escondido no seu refúgio à prova de ataques aéreos, mastiga uma cápsula de cianeto enquanto atira contra si com uma pistola. Era o dia 30 de Abril de 1945. O prometido Reich de mil anos desabava sobre ele.

Hitler tinha remodelado o seu bunker em 16 de Janeiro após ter decidido permanecer em Berlim para o derradeiro grande cerco da guerra. Localizado a cerca de 20 metros abaixo da chancelaria, passou a ser o quartel-general de Hitler como chanceler do Reich nazi. O refúgio continha 18 pequenos aposentos e estava plenamente sortido de mantimentos. Dispunha também de um sistema próprio de fornecimento de água e electricidade. Muito raramente deixava o bunker. Uma das excepções foi para condecorar um esquadrão de soldados-adolescentes da Juventude Hitleriana. Passava a maior parte do seu tempo imaginando como poderia atacar com o que restava da defesa alemã. Às vezes recebia convidados como Hermann Goering, Heinrich Himmler e Joachim von Ribbentrop e com eles se entretinha. Ao seu lado estava Eva Braun, com quem se tinha casado apenas dois dias antes do suicídio, e o cão alsaciano Blondi.

Alertado pelos seus oficiais que o Exército Vermelho se acercava da chancelaria e que em estimados um ou dois dias ela seria tomada de assalto, eles aconselharam o  führer a refugiar-se em Berchtesgarden, uma pequena cidade nos Alpes Bávaros, onde Hitler, em seus tempos de ascensão, costumava passar parte do seu tempo. O ditador preferiu o suicídio.
 Depois do almoço, no dia 30 de Abril, Hitler  trancou-se com Eva Braun nos seus aposentos. Ouviu-se apenas um tiro. Quando lá entraram os oficiais encontraram-no com a cabeça estraçalhada à bala e com a pistola caída no colo. Em frente a ele, estava Eva Braun, sem nenhum ferimento visível.   Rapidamente os dois corpos foram removidos para o pátio e, com o auxilio de 180 litros de gasolina   os corpos de Hitler e Eva foram cremados no jardim da chancelaria pelos serviçais do bunker, por ordem do führer. Segundo se soube posteriormente, as tropas russas conseguiram recuperar parte da ossatura que havia sido enterrada junto com as cinzas da cremação. Somente em 1956, após incontáveis perícias e testemunhos, um tribunal de justiça da Alemanha Ocidental declarou oficialmente que Adolf Hitler estava morto.
Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

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Edição do jornal The Stars and Stripes, de 2 de Maio de 1945 anunciando a morte de Adolf Hitler
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Mapa do Bunker



30 de Abril de 1883: Morre o pintor francês Édouard Manet

Pintor impressionista francês, Manet nasceu a 23 de Janeiro de 1832, em Paris, e morreu a 30 de Abril de 1883. Contrariando o desejo paterno, enveredou pela pintura, entusiasmando-se por Ticiano, Velásquez e Delacroix. Foi no museu do Louvre que conheceu Degas. Frequentou depois Baudelaire, Offenbach, Théophile Gautier. Em 1863, no Salão dos Independentes, realizado à margem do Salão da Academia, o quadro de Manet Le Déjeneur sur l'Herbe (Almoço na Relva), embora tratando de um tema clássico, causou escândalo. E Olímpia, no Salão de 1865, foi ainda mais contestado.
Os gostos de Manet não se ajustavam aos tons fortes utilizados na nova estética impressionista. Preferia os jogos de luz e de sombra, restituindo ao nu a sua crueza e a sua verdade, muito diferente dos nus adocicados da época. O trabalhado das texturas era apenas sugerido, as formas, simplificadas. Os temas deixaram de ser impessoais ou alegóricos, passando a traduzir a vida da época, e, em certos quadros, seguiam a estética naturalista de Zola e Maupassant. Nos retratos, procurava o traço psicológico significativo como em Mallarmé, de 1875.
Recusado na Exposição Universal de 1878, recebeu contudo, em 1881, a Legião de Honra e foi homenageado no Salão.
Nos últimos anos da sua vida, utilizou o pastel. O Bar do Folies Bergère (1882) foi a última obra-prima, testemunha do interesse de Manet pelos fenómenos ópticos, mas sobretudo da mestria do pintor, que sabia quando devia sacrificar a realidade às exigências da arte.
Édouard Manet. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.

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Édouard Manet em 1910

O Balcão -  Édouard Manet 
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O Bar do Folies Bergère - Édouard Manet
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Almoço na Relva - Édouard Manet


30 de Abril de 313: O imperador Licínio unifica todo o Império Romano do Oriente.

Imperador romano do Oriente (?-324) entre 308 e 324. Governou a par de Constantino (este no Ocidente), com o qual manteve acesas diatribes, acabando por ser dominado por ele, que acusava Licínio de ser anti-cristão. Grande militar, trilhou um percurso de armas notável até ao confronto com Constantino. Entre a abdicação de Diocleciano e Maximiano em 1 de maio de 305 e o ano de 308 três longos anos de usurpações e lutas intestina e fratricidas agitaram e tingiram de sangue o Império Romano. Em 308, Galério, um Augusto idoso no poder, convocou uma assembleia na qual tentou sanar as divergências entre as fações em luta, mas sem sucesso. Neste convénio participou Valério Liciniano Licínio, um antigo companheiro de armas de Galério, com quem tinha combatido contra os Persas. Licínio foi nessa mesma assembleia nomeado César, com a responsabilidade de administrar a região do Danúbio e Balcãs. Galério esperava poder vir um dia a abdicar, ao fim de 20 anos no poder, em favor do seu velho amigo Licínio, que era o seu braço direito quando morreu em 311. Todavia, as coisas não correram como ambos tinham pensado, pois Galério tinha outros amigos.Licínio, na luta que se seguiu à morte de Galério pela posse dos seus domínios, viu a Ásia Menor tocar a Maximino Daia, que então governava o Egito e a Síria. Hábil e astuto, logo Licínio procurou aliados: de facto, em 313 via Constantino dar-lhe o seu apoio em Roma, onde reinava como imperador do Ocidente. No dia 30 de abril de 313, Licínio unificou todo o Império Romano do Oriente. Licínio contraiu mesmo matrimónio com Constança, irmã de Constantino, tolerante, entretanto, em relação ao Cristianismo, que Daia combatia freneticamente no Oriente. À frente de um exército que colocou sob a proteção do Deus único dos cristãos, Licínio marchou contra Daia, que acabou por derrotar, tendo torturado até à morte os conselheiros deste, anti-cristãos. Mas a partilha do Império entre Constantino e Licínio não acabou por ser tão líquida quanto se supunha vir a ser. Em 316, Constantino, sob o pretexto de que Licínio tinha recomeçado a perseguição aos Cristãos no Oriente, ocupou a quase totalidade dos territórios europeus governados por aquele. Em 324, novamente as forças de Constantino atravessaram os Balcãs marchando sobre Bizâncio. Depois da sua frota forçar o estreito dos Dardanelos, às portas daquela cidade, Constantino venceu as tropas de Licínio e conquistou a sua capital, Nicomédia. Constantino poupou-lhe a vida, dando mesmo um banquete em sua honra. Mas, passado um ano, mandou matá-lo. O historiador cristão Eusébio de Cesareia apressou-se, na sua História da Igreja, a apagar todas as alusões positivas e benevolentes em relação a Licínio. Apesar da ambição que se lhe atribui, era um grande guerreiro, um amigo leal (como o prova a sua amizade a Galério), um bom governante e administrador. Resta apurar com exatidão a sua verve anti-cristã, tradicionalmente aceite mas ainda por comprovar.
Licínio I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
wikipedia (imagens)
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Licínio à esquerda e o seu rival Constantino à direita


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Moeda com a efígie de Licínio

sábado, 29 de abril de 2017

29 de Abril de 1429: Joana D'Arc entra na cidade de Orleães, França, reivindicando vitória sobre as forças inglesas.

Joana D'Arc nasceu em Domrèmy-la-Pucelle na noite de Epifania de 1412. Já em vida, se havia tornado uma lenda, as pessoas queriam vê-la e tocá-la. Em 1429, entrou para a história da França ao escrever uma carta ao chefe da ocupação inglesa:
"Rei da Inglaterra, auto intitulado regente do Império Francês, entregue à virgem enviada por Deus, imperador do céu, a chave de todas as cidades que Sua Alteza tomou dos franceses. Se não o fizer, Sua Alteza já o sabe, eu sou general. Em todo lugar na França que encontrar da sua gente, vou expulsá-la."
Teria sido ousadia ou ingenuidade a oferta feita por Joana, então com 16 anos, ao seu rei, Carlos VII, de expulsar os invasores ingleses de Orleães e assim ajudá-lo a garantir-se no trono da França? Ao apresentar-se como enviada divina, ajudou a projectar o seu nome na história.
Oficialmente, ninguém contestava a necessidade de expulsar os britânicos. Mesmo assim, o rei e os seus consultores preferiram mandar averiguar quem era aquela jovem. Doutores, religiosos, guerreiros, ninguém encontrou ressalvas à pura Joana, apenas o bem, a inocência, a humildade, a honestidade e a submissão.
Joana apareceu para salvar os franceses justamente no momento em que eles acreditavam que apenas um milagre poderia ajudá-los. E a Joana vestida de guerreiro, um enviado de Deus, incorporou esta esperança. O povo via nela a concretização de um antiga profecia, segundo a qual a França seria salva por uma virgem. Uma propaganda ideal para a corte. Era a oportunidade para motivar as suas tropas, que a esta altura estavam com a imagem um tanto desgastada.
Joana, a salvadora. Com o passar dos séculos, ela foi apelidada de bruxa, prostituta, santa, feminista, nacionalista, heroína.
Orleães estava sitiada pelos ingleses há seis meses. Um contingente de cinco mil homens pretendia forçar os 30 mil habitantes a  entregar-se. Munida de uma bandeira branca, Joana chega a Orleães em 29 de Abril de 1429. Comandando um exército de 4000 homens ela consegue a vitória sobre os invasores no dia início do mes de Maio. O episódio é conhecido como a Libertação de Orleães (e em França como a Siège d'Orléans). Os franceses já haviam tentado defender Orleães mas não obtiveram sucesso. Apesar de não ser um integrante activo nos planos dos militares franceses, o espírito de luta de Joana – e talvez apenas a sua presença – trouxe a vitória aos franceses.
No dia 8 de Maio de 1429, ela foi festejada pelos moradores de Orleães como enviada divina. E seguiram-se ainda muitas vitórias até à coroação de Carlos VII em Reims. Os ingleses, derrotados, iniciaram uma conspiração contra Joana, que acusavam de bruxaria. Ela foi presa em 1430, julgada em Rouen por heresia por um tribunal eclesiástico presidido por Pierre Cauchon, bispo de Beauvais, foi condenada e queimada viva na praça Vieux-Marché de Rouen, em 30 de Maio de 1431. Carlos VII, que nada fez para salvá-la, esperou até à reconquista de Rouen, em 1450, para proceder à revisão do seu processo, que culminaria  na sua absolvição (1456).Em 9 de Maio de 1920, cerca de 500 anos depois de sua morte, Joana D'Arc foi canonizada pelo Papa Bento XV - era a Santa Joana D'Arc. Em 1922 foi declarada padroeira de França. 
Fontes DW
France.fr
wikipedia (imagens)

Gravura de 1505
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O interrogatório de Joana d'Arc - Paul Delaroche
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 Joana d'Arc é queimada viva - Jules-Eugène Lenepveu
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29 de Abril de 1826: D. Pedro IV de Portugal outorga a Carta Constitucional

Após a morte de D. João VI, a 10 de março de 1826, D. Pedro, legítimo herdeiro do trono de Portugal, sendo detentor da Coroa imperial brasileira, era considerado um estrangeiro, o que, pelas leis então vigentes quanto à sucessão do trono, o tornava inelegível para o trono português.
A regência, nomeada em 6 de março de 1826, apenas quatro dias antes da morte do rei, na pessoa da infanta D. Isabel Maria, declara D. Pedro Rei de Portugal. A situação, porém, não agradava nem a portugueses nem a brasileiros. Em Portugal, muitos defendiam a legitimidade do trono para D. Miguel, irmão de Pedro.
D. Pedro procurou uma solução conciliadora. Assim, após outorgar a Carta Constitucional a Portugal (29 de abril de 1826), abdicou em favor da sua filha D. Maria da Glória, na dupla condição de esta desposar o seu tio D. Miguel e de este jurar a Carta.
A Carta Constitucional da monarquia portuguesa baseou-se na Constituição brasileira que, por sua vez, se inspirara na Carta francesa de 1814, apoiando-se esta no sistema britânico. ainda, nalguns artigos, influências da Constituição de 1822. Pela sua natureza moderada, a Carta representou um compromisso entre os defensores da soberania nacional adotada na Constituição de 1822 e os defensores da reafirmação do poder régio.
O documento estipulava um sistema monárquico, de titularidade hereditária, em que ao rei caberia a responsabilidade última do poder executivo e uma função de moderação na sociedade; divulgava a abdicação de D. Pedro; definia os princípios gerais de administração do reino, prevendo a separação dos poderes (distinguindo-se os poderes legislativo, moderador, executivo e judicial); e garantia os direitos dos cidadãos, no tocante à liberdade, à segurança individual e à propriedade.
A Carta Constitucional teve três períodos de vigência.
O primeiro decorreu entre 31 de julho de 1826 e 3 de maio de 1828, data da convocação dos três estados do reino por D. Miguel, em oposição à Carta.
O segundo período iniciou-se em 27 de maio de 1834, com a Convenção de Évora-Monte, que pôs termo à guerra civil entre os absolutistas de D. Miguel e os liberais de D. Pedro. A vitória destes repôs a Carta. Este período prolongar-se-ia somente até 9 de setembro de 1836, quando a Constituição de 1822 foi reposta pela revolução de setembro, até redação da nova Constituição (o que viria a acontecer em 1838).
O terceiro período de vigência iniciou-se com o golpe de Estado de Costa Cabral no Porto que proclamou a restauração da Carta em 27 de janeiro de 1842. Oficialmente, a Carta reentraria em vigor em 10 de fevereiro de 1842. Este período de vigência apenas terminaria em 5 de outubro de 1910, com a revolução republicana.
Durante este longo período de vigência, a Carta foi alvo de três revisões - os Atos Adicionais de 1852, 1855 e 1896.
Carta Constitucional. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
wikipedia (imagens)

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 A família real portuguesa: D. Amélia Augusta, D. Pedro IV e D. Maria da Glória.

29 de Abril de 1980: Morre Alfred Hitchcock

Realizador inglês, nasceu a 13 de agosto de 1899 em Londres, e morreu a 29 de abril de 1980, na Califórnia. Em 1929, Hitchcock obteve o seu primeiro sucesso no Reino Unido com Blackmail, filme  que abriria um período de vários clássicos do suspense dirigidos por ele ainda em solo britânico.
Em 1933 foi trabalhar na Gaumont-British Picture Corporation, e o seu primeiro filme para a companhia chamou-se The Man Who Knew Too Much (O Homem que Sabia Demais), de 1934, que seria novamente filmado na década de 50 com outros atores. O seu segundo filme pela companhia foi The 39 Steps (Os 39 Degraus), de 1935, considerado o melhor filme deste período. Neste filme, pela primeira vez ele usa uma técnica chamada de MacGuffin (às vezes de McGuffin ou Maguffin), a técnica designa uma desculpa argumental que motiva aos personagens a desenvolver uma história, o que na realidade carece de relevância. O  sucesso seguinte foi The Lady Vanishes (A Desaparecida) (1938), que envolvia intriga internacional. Hitchcock mudou-se para os Estados Unidos em 1939 e tornou-se cidadão norte-americano em 1955. O fulcro da sua obra residirá talvez na sábia exploração do suspense humoristicamente macabro do quotidiano através daquilo a que alguns críticos chamam uma «câmara ontológica», aquela que se autoproblematiza, simultaneamente investigando a complexidade das personagens sem coordenadas que procura captar: o homem inocente que deve perseguir o criminoso para se ilibar da acusação de um crime que não cometeu, a mulher culpada que cerca um herói masculino para o destruir ou acabar por ser salva por ele, e o assassino psicopata. É neste percurso que vamos deparando com a progressiva desorientação da personagem de James Stewart em Vertigo (A Mulher que Viveu Duas Vezes, 1958), depois com o estilhaçamento da personagem principal de Psycho (1960) e, finalmente, com a deglutição da humanidade no final de The Birds (Os Pássaros, 1963). Outros filmes emblemáticos deste realizador são Spellbound (A Casa Encantada, 1945), Notorious (Difamação, 1946), To Catch a Thief (Ladrão de Casaca, 1955) e North By Northwest (Intriga Internacional, 1959), estes três últimos com Cary Grant.
Em 1999 comemorou-se o centenário do nascimento do realizador.

Fontes: Alfred Hitchcock. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (Imagens)


Arquivo: Hitchcock, Alfred 02.jpg