quarta-feira, 24 de agosto de 2016

24 de Agosto de 1572: Noite de São Bartolomeu em França. Começa o massacre dos Huguenotes (protestantes).

Madrugada de 24 de agosto de 1572: os sinos da catedral de Saint Germain-l’Auxerrois fizeram o prenúncio do dia de São Bartolomeu – um mártir.
Na Noite de São Bartolomeu de 1572, os católicos massacraram os huguenotes em França. Somente em Paris, três mil protestantes foram exterminados nessa noite. A violência estava espalhada por todo o país, o número de huguenotes mortos foi de dezenas de milhares.
Poucos dias antes, era calmo o ambiente na capital. Celebrara-se um matrimónio real, que deveria encerrar um terrível decénio de lutas religiosas entre católicos e huguenotes. Os noivos eram Henrique, rei de Navarra e chefe da dinastia dos huguenotes, e Margarida Valois, princesa da França, filha do falecido Henrique II e de Catarina de Médicis.
Margarida era irmã do rei Carlos IX. Alguns milhares de huguenotes de todo o país – a nata da nobreza francesa – foram convidados a participar das festas de casamento em Paris. Uma armadilha sangrenta, como se constataria mais tarde.
Casamento sobre o Sena
A guerra entre católicos e protestantes predominou na França durante anos. E agora, um casamento deveria fazer com que tudo fosse esquecido?
O casamento não foi realizado na catedral. O noivo protestante não deveria entrar em Notre Dame, nem assistir à missa. Diante do portal ocidental da catedral, foi construído um palco sobre o rio Sena, no qual se celebrou o casamento. Margarida não respondeu com um "sim" à pergunta, se desejava desposar Henrique, mas fez simplesmente um aceno positivo com a cabeça. Como era comum na época, o casamento tinha motivação exclusivamente política.
No século XVI, o maior esteio da França não era o rei, mas sim a Igreja. E ela estava inteiramente infiltrada pela nobreza católica. Uma reforma do clero significaria, ao mesmo tempo, o tolhimento do poder dos príncipes. Assim, a nobreza – tendo à frente os Guise – buscava a preservação do status quo.
Casamento forçado seguido de atentado
Os Guise – a linhagem predominante em França – observavam com profunda desconfiança a cerimónia ao lado de Notre Dame. O casamento foi realizado por determinação da poderosa rainha-mãe Catarina de Médicis – uma mulher fria, detentora de um marcante instinto de poder.
Poucos dias depois da cerimónia, o almirante Coligny sofreu um atentado em rua aberta. O líder huguenote teve apenas ferimentos leves. Ainda assim, os huguenotes pressentiram uma conspiração. Estava em perigo a trégua frágil, lograda através do casamento. Por trás do atentado, estavam os Guise e Catarina de Médicis.
O casamento era parte de um plano preparado a longo prazo. Carlos, o rei, ficou furioso ao saber do atentado a Coligny, que era seu conselheiro e confidente. Os católicos espalharam então o boato de que os huguenotes estavam a planear uma rebelião para vingar-se do atentado.
Começa o plano diabólico
O rei Carlos foi pressionado pela sua mãe, Catarina. Carlos vacilou, ficou inseguro. Mas cedeu, finalmente, e ordenou a execução de Coligny. E exigiu, de repente, um trabalho completo: não deveria sobrar nenhum huguenote que pudesse acusá-lo posteriormente do crime.
Coligny foi assassinado com requintes de crueldade na noite de São Bartolomeu. Com ele, milhares de pessoas que professavam a mesma fé.
Henrique de Navarra sobreviveu à noite de São Bartolomeu nos aposentos do rei, que tinha dado a ordem para o massacre. Henrique teve de renegar a sua fé e foi encarcerado no Louvre. Quatro anos mais tarde, ele conseguiu fugir. Retornou ao seu reino em Espanha e, anos depois, subiu ao trono francês.
Henrique, que permaneceu católico, mas irmão espiritual dos huguenotes, concedeu-lhes a igualdade de direitos políticos através do Édito da Tolerância de Nantes. Uma compensação tardia para os huguenotes. Henrique defendia a coesão do país: "A França não se dividirá em dois países, um huguenote e outro católico. 

Fontes: DW
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Massacre de São Bartolomeu, de François Dubois

Uma manhã perto dos portões do Louvre pintura de Édouard DebatePonsan.

24 de Agosto de 1879: Iniciam-se os trabalhos de demolição do Passeio Público para se abrir a futura Avenida da Liberdade, em Lisboa

O Passeio Público nasceu da reconstrução da cidade pombalina do século XVIII e constituía o prolongamento da praça do Rossio, espaço para ser amplo, também ele fluído, ortogonal e funcional para a cidade, um espaço de lazer.
Em 1785 já existiria e constava do Plano Geral da cidade desse ano. Compunha-se de um vasto bosque, delimitado por grossos muros, mais tarde gradeado e com entradas no topo norte e sul, que regulavam as entradas e saídas e faziam cumprir as posturas municipais sobre o comportamento dos seus visitantes.
Entre 1830 e 1840, melhoramentos sucessivos foram feitos pela Câmara Municipal de Lisboa. Construiu-se uma cascata com o nicho que albergava a estátua de Anfitrite, deusa do mar, um terraço com acesso para a praça da Alegria e projectaram-se viveiros e pavilhões de música para animar o recinto.
Mas a cidade emergia para norte e o desenvolvimento industrial impunha uma nova ordem na circulação de pessoas e de veículos e, por isso, uma nova concepção em fazer a cidade.
Era essencial abrir uma nova artéria na capital para a expansão da cidade para norte.
No dia 24 de Agosto de 1879, iniciaram-se os primeiros trabalhos de demolição do Passeio Público para se abrir a futura avenida da Liberdade.
O projecto obrigaria à expropriação de alguns terrenos, na maioria hortas e quintas, tarefa essa camarária e da intervenção do ilustre José Gregório da Rosa Araújo, que financiou algumas das expropriações na zona.
Em 1881, a Câmara Municipal ficou incumbida de executar as expropriações, demolições, construção da avenida da Liberdade e a urbanização de novos bairros: do Conde Redondo e Camões a oriente, e do bairro Barata Salgueiro a ocidente. Demoliu-se também o antigo circo Price e o teatro do Salitre.
O projecto da avenida da Liberdade foi traçado pelo engenheiro Frederico Ressano Garcia e pela sua equipa da Repartição Técnica da Câmara e consistia no risco de dois lanços. O primeiro com início na entrada do Passeio Público, entre a zona dos Restauradores e a praça da Alegria, e o segundo partiria desta praça até à zona do Vale do Pereiro. Estes primeiros trabalhos prolongaram-se até 1885.
O projecto foi assim executado e a avenida da Liberdade foi oficialmente inaugurada em 28 de Abril de 1886, com a presença do rei D. Luís I, da corte e de uma cerimónia. Estava aberta uma nova era na urbanização e na expansão da cidade.
Fontes: Revelar Lx

Avenida da Liberdade - (1905) Litografia de João Christino (Avenida da Liberdade cruzamento com a Rua Alexandre Herculano, podemos ver nos talhões as primitivas estátuas) (Suplemento ao Nº 488 do "Mala da Europa") in BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL
Engenheiro Frederico Ressano Garcia 



24 de Agosto de 1820: Eclode a Revolução Liberal, no Porto

Na sequência das invasões francesas e da partida da família real para o Brasil, e não obstante as vitórias sobre as forças napoleónicas, Portugal tornou-se um país abandonado pelo seu rei nas mãos de uns quantos oficiais ingleses. Os portugueses sentiam que D. João VI descurara o reino, sentiam que a metrópole se tornara numa colónia do Brasil, sob influência britânica, situação agravada ainda pela constante drenagem de recursos para a colónia e o permanente desequilíbrio orçamental.Em 1817, várias pessoas foram presas sob a acusação de conspirarem contra a vida de Beresford e contra a regência. A sentença foi dura: a execução de doze portugueses, incluindo Gomes Freire de Andrade. Esta atitude, longe de acalmar os ânimos, antes os exaltou.Em 22 de janeiro de 1818, Manuel Fernandes Tomás fundou no Porto uma associação secreta - o Sinédrio -, cuja atividade consistia em acompanhar a atividade política e intervir, se fosse caso disso.No ano de 1820 vários fatores iriam contribuir para o agravamento da situação. O liberalismo triunfou em Espanha, aprofundando-se os existentes contactos com liberais portugueses.Beresford partiu em fins de março para o Brasil, a fim de obter junto de D. João VI mais amplos poderes. O Sinédrio aproveita a sua ausência para aumentar significativamente o seu grande número de membros e preparar irreversível e definitivamente a revolução.Assim, às primeiras horas da manhã de 24 de agosto de 1820, o exército, sob a liderança dos coronéis Sepúlveda e Cabreira, revoltou-se no Campo de Santo Ovídio, no Porto. De imediato se efetuou uma reunião na Câmara Municipal, formando-se uma Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, sob a presidência do brigadeiro-general António da Silveira. A Junta tinha como objetivos imediatos a tomada da regência do reino nas suas mãos e a convocação de Cortes que redigiriam a Constituição.Em Lisboa a regência tentou resistir, mas soçobrou perante um novo levantamento, a 15 de setembro, que formou um Governo Interino.Em 28 de setembro os revolucionários do Norte e do Sul juntam-se numa nova Junta Provisional, presidida por Freire Andrade (parente do mártir executado em 1817).
O novo Governo quase nada fez além de organizar as eleições para as Cortes. Estas, realizadas em dezembro de 1820, de imediato solicitaram o regresso à metrópole de D. João VI. Em janeiro de 1821 as Cortes elegeram um novo governo e uma nova regência (presidida pelo conde de Sampaio), para governar até ao regresso do rei.    
Revolução de 1820. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 
wikipédia (imagens)


António da Silveira Pinto da Fonseca, Presidente da Junta Provisional do Governo Supremo do
Reino


O General de Brigada Sepúlveda, em gravura de 1822

24 de Agosto de 1471: Conquista de Arzila

Arzila é uma vila norte-africana voltada para o oceano e actualmente situada no Reino de Marrocos. O seu nome deriva do castelhano, que por seu lado assenta na forma árabe de Acila ou Azila. Já num portulano de 1318 surge o nome Arzila.

Afigura-se difícil descortinar os primeiros tempos de existência de Arzila, uma vez que não é certo que a área da actual vila tenha sido habitada de forma contínua desde o período do Império Romano. É possível que as referências clássicas a uma Julia Constantina Zilil ou Zilis sejam, de facto, referências à vila que mais tarde viria a ser apodada de Arzila, mas tal não é certo. 

Do século IX datam os primeiros vestígios concretos de ocupação da área de Arzila em questão. Tudo indica que as tribos berberes autóctones ali terão erguido um ribat (torre de vigia) por forma a garantir o controlo das aproximações de navios à costa, uma vez que os desembarques de Normandos – envoltos eles mesmos em lendas – eram uma ameaça real à segurança da povoação. No século X Arzila surge já descrita pelos cronistas árabes como uma pequena cidade amuralhada, com a existência na área de poços de boas águas e de campos cerealíferos, condições que levaram ao proliferar de mercados e bazares no interior do perímetro amuralhado. 

Até ao séc. XIII Arzila viveria um período de declínio, uma vez que as dinastias árabes Almorávida e Almôada pouco uso fizeram do porto natural que a vila oferecia. No entanto, é neste século, com a ascensão dos Merínidas, que a vila volta a ganhar importância, desta feita a nível comercial, aproveitando as boas condições naturais do seu porto de mar para levar a cabo trocas comerciais com vários pontos da Europa, nela circulando comerciantes genoveses, catalães, castelhanos e maiorquinos, justamente até ao dealbar do século XV. 

Em meados do século XV a vila viria a atrair as atenções da Coroa portuguesa, que desde 1415, com a conquista de Ceuta, vinha intervindo na região. Em 1464, após o fracasso de nova tentativa de conquista de Tânger, D. Afonso V decidiria tentar a conquista de Arzila. Por forma a prevenir um ataque os governantes da vila decidiram render-se, mas as forças portuguesas acabaram por não se conseguir aproximar da mesma devido a fortes chuvadas que aumentaram o caudal do rio Doce, ficando sem efeito a rendição. 

Contudo em 1471 D. Afonso V voltaria a África, e desta feita conquistaria Arzila pela força. Começou por enviar à vila enquanto espiões Vicente Simões e Pêro de Alcáçova, disfarçados precisamente de mercadores, para que estes avaliassem o alvo e a melhor forma de o atacar. A 20 de Agosto de 1471 a armada portuguesa aportaria ao largo de Arzila, começando nesse mesmo dia o cerco, tendo desde logo perecido mais de 200 combatentes nos vários naufrágios provocados por uma tempestade. No segundo dia de cerco uma bombarda conseguiria abrir uma brecha nos muros da vila, cuja construção de taipa e tijolo se revelava insuficiente para conter o disparo da artilharia. A 24 de Agosto a vila seria conquistada, justamente na altura em que se negociava a rendição da mesma. Conta-nos Rui de Pina que pelo arraial português terá corrido o rumor de que a vila já havia sido penetrada pelas forças sitiantes. Este rumor motivaria o derradeiro ataque da hoste portuguesa, que seria lançado sem para tal ser dada ordem pelo rei. Nenhum combatente queria perder a entrada na vila, pois tal significava a perda do saque, objectivo que motivaria a grande maioria dos guerreiros portugueses. Como tal, na ânsia do saque – a que podemos, certamente, acrescentar o desejo da fidalguia de mostrar o seu valor marcial perante o rei e deste obter por isso uma mercê – Arzila seria atacada, não conseguindo resistir ao ímpeto do avanço dos sitiadores. Entrada a vila, o ataque ao castelo e à mesquita resultariam num banho de sangue, e no cômputo total terão perecido cerca de 2000 muçulmanos e sido aprisionados 5000, sendo que do lado português apenas se revela o nome dos mortos de maior nomeada, o conde de Monsanto, D. Álvaro de Castro e o conde de Marialva, D. João Coutinho. Conquistada Arzila começou então a reeorganização do espaço de acordo com os modelos administrativos portugueses de então. Antes, porém, D. Afonso V rezou no interior da mesquita, e aí armou cavaleiro o príncipe D. João, futuro D. João II, junto dos corpos dos condes defuntos, num acto de profunda simbologia cavaleiresca. No dia 25 a mesquita seria convertida em igreja, ostentando a partir de então o nome de Nossa Senhora da Assunção. Mais tarde o nome seria alterado para São Bartolomeu. D. Henrique de Meneses, conde de Valença e capitão de Alcácer Ceguer, seria nomeado primeiro capitão de Arzila – um ofício que de resto se manteria até ao abandono da vila no século XVI, sendo que no exercício do mesmo se tenham celebrizado sobretudo membros da linhagem dos Coutinho. Muhammad al-Shayk, governante de Arzila e aspirante ao trono de Fez, ainda tentou recuperar a vila – na altura do cerco encontrava-se com o seu exército a cercar Fez, situação aproveitada pelos Portugueses – mas acabou por chegar a acordo com D. Afonso V, reconhecendo o rei de Portugal enquanto senhor das vilas que possuía na região, além de se estabelecerem tréguas por 20 anos. 

D. Afonso V fora entretanto avisado de que Tânger se havia despovoado como consequência directa da conquista de Arzila, pelo que, após alguma hesitação, para lá enviou o filho do duque de Bragança e futuro marquês de Montemor ao comando de uma força de cavaleiros e peões, chegando à cidade a 28 ou 29 de Agosto. Seguir-se-lhe-ia o próprio rei, que na cidade entraria em inícios de Setembro, feliz por finalmente pisar o solo de Tânger, mas de alguma forma desapontado por não a ter conquistado. A conquista de Arzila acabaria ainda por valer a Portugal o retorno das ossadas de D. Fernando, o Infante Santo, por troca com a família de Muhammad al-Shayk, aprisionada no seguimento da conquista. 

A vida em Arzila era em tudo semelhante à das restantes praças norte-africanas em mãos portuguesas. A sobrevivência de Arzila dependia dos abastecimentos marítimos vindos do reino e da Andaluzia, além dos saques e pilhagens que pautavam um quotidiano marcado por cavalgadas contra aldeias próximas. A situação de encravamento em território inimigo atingia pontos extremos em determinadas alturas, como foi o caso do cerco de 1508, em que as forças do reino de Fez conquistaram a vila, mantendo-se a resistência, liderada pelo capitão de Arzila e conde de Borba D. Vasco Coutinho, no castelo. Apenas armadas de socorro vindas do reino e de Castela permitiriam a manutenção da praça. Este cerco levaria mesmo a uma série de obras de modernização das defesas da mesma, ordenada por D. Manuel I, e nas quais trabalharam alguns dos melhores arquitectos do período, caso de Diogo Boytac. De resto no século XVI seriam várias as campanhas de modernização das defesas, face à crescente ameaça que constituía a modernização dos exércitos do reino de Fez. Ainda no século XV se abandonara boa parte da vila que fora conquistada, uma vez que os moradores e fronteiros portugueses ali residentes eram em muito menor número, sendo por volta de 500 em 1495. Como tal erguera-se um atalho – um muro – que passava a separar a vila nova da vila velha, sendo esta última abandonada. 

O domínio português de Arzila duraria, continuamente, até 1549-1550, altura em que a vila seria despovoada no seguimento da pragmática política de D. João III de abandono das praças norte-africanas face às crescentes dificuldades que resultavam da conquista do reino de Fez por parte do reino de Marrocos, finalizada precisamente em 1549. Em 1577 Arzila voltaria a mãos portuguesas, entregue a D. Sebastião quando este partira para a jornada de Alcácer Quibir, sendo que se manteve em mãos portuguesas até 1589, altura em que Felipe I de Portugal, pressionado por problemas em várias frentes no seu vasto império, a entregou ao reino de Marrocos. 
Fontes: Universidade Nova de Lisboa, artigo de Paulo Dias
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Tapeçarias de Pastrana: detalhe da série da tomada de Arzila (desembarque)
"Arzilla" na obra Civitates Orbis Terrarum de Braun e Hogenberg, 1572

24 de Agosto de 79: Pompeia e Herculano são destruídas pela erupção do vulcão Vesúvio

As cidades de Pompeia, Herculano e Estábia, no Sul da Itália, foram cobertas pelas cinzas em 24 de Agosto de 79, na decorrência da erupção do vulcão Vesúvio. A partir do século XVIII, escavações permitiram redescobrir estas antigas cidades, num achado arqueológico sem precedentes. Elas foram mantidas intactas sob uma espessa camada de lava, além das suas incríveis riquezas: templos, edifícios, quarteirões de habitações, residências de patrícios, pinturas murais.

Pompeia, Herculano e Estábia floresciam perto do sopé do Monte Vesúvio na Baía de Nápoles. No início do Império Romano, 20 mil pessoas viviam em Pompeia. Eram mercadores, artesãos e agricultores, que exploravam o rico solo da região com inúmeros vinhedos e hortas. Ninguém suspeitava que a fértil terra negra fosse o legado de erupções do Vesúvio. Herculano tinha cinco mil habitantes e era destino de veraneio dos ricos patrícios romanos. Nomeada em homenagem ao mítico heroi Hércules, abrigava opulentas mansões e grandes balneários. Artefactos de jogos de azar encontrados em Herculano e um bordel desenterrado em Pompeia atestavam o outro lado da natureza das cidades. Havia outras pequenas comunidades na área, concentradas na pacata cidadezinha de Estábia. 

Naquele fatídico dia, o Vesúvio explodiu, propelindo uma nuvem em forma de cogumelo a 15 mil metros de altura na estratosfera. Nas 12 horas seguintes, a cinza vulcânica e uma chuva de pedras com mais de sete centímetros de diâmetro cobriram Pompeia, obrigando os habitantes a fugir aterrorizados. Cerca de duas mil pessoas que permaneceram na cidade refugiaram-se em porões ou debaixo de estruturas de pedra, esperando cessar a erupção. Acabaram por morrer na manhã do dia seguinte quando uma nuvem de gás tóxico cobriu a localidade, sufocando todos. Uma chuva de pedras e cinzas fez ruir telhados e paredes, cobrindo os mortos. 

Um forte vento oeste protegeu Herculano na fase inicial do desastre, porém uma gigantesca nuvem de cinza e gás surgiu do flanco ocidental do Vesúvio, engolfando a cidade e queimando ou asfixiando os remanescentes. A nuvem letal foi acompanhada de um mar de lava que soterrou a cidade. 

Muito do que se conhece desta erupção vem do relato de Plínio o Jovem, que estava na Baía de Nápoles quando o vulcão explodiu. Em duas cartas ao historiador Tácito, ele contou como “as pessoas cobriam a cabeça com travesseiros, a única defesa contra a chuva de pedras” e de como “uma nuvem negra carregada de material incandescente de repente cobriu tudo. Alguns lamentavam seu destino. Outros rezavam." 

De acordo com Plínio, a erupção durou 18 horas. Pompeia ficou soterrada debaixo de uma camada de cinco metros de cinza e pedra e Herculano debaixo de uma camada de lava e material vulcânico de mais de 18 metros. 

No século XVIII, foi desenterrada uma estátua de mármore onde se situava Herculano. Em 1748, um agricultor encontrou traços de Pompeia na sua  vinha. Em 1927, o governo italiano retomou a escavação de Herculano, recuperando numerosos tesouros artísticos. 
Os restos de 2 mil pessoas foram encontrados em Pompeia. Os seus corpos tinham sido cobertos de cinza que endureceu e preservou o contorno dos seus corpos. Mais tarde, os corpos  decompuseram-se em restos de esqueleto, deixando uma espécie de molde de gesso. Os arqueólogos que descobriram esses moldes, preencheram os vazios com gesso, revelando em detalhes tétricos a pose das vítimas no momento do desastre. Só em 1982 os primeiros restos humanos foram encontrados em Herculano e as centenas de esqueletos tinham marcas espantosas que testemunhavam as suas horríveis mortes. 

A  última erupção foi em 1944 e sua última grande erupção ocorreu em 1631. 

Fontes: Opera Mundi
wikipedia (imagens)

O último dia de Pompeia, de Karl Bryullov

Retrato de casal encontrado em uma casa de Pompeia
"Jardim dos Fugitivos", com os moldes em gesso das vítimas do Vesúvio
Ficheiro:Pompeii Forum.JPG

Visão panorâmica actual do fórum de Pompeia, com o Vesúvio ao fundo


terça-feira, 23 de agosto de 2016

23 de Agosto de 1926: Morre o ídolo do cinema mudo, Rudolfo Valentino

Actor norte-americano, de origem italiana, de nome verdadeiro Rudolfo Alfonso Raffaello Pierre Filibert Guglielmi di Valentina d Antonguolla nascido a 6 de Maio de 1895, em Castellaneta, e falecido a 23 de Agosto de 1926, em Nova Iorque, vitimado por uma peritonite. Foi o primeiro sex-symbol criado pelo cinema, tendo falecido quando se encontrava no auge da sua popularidade. Filho de um veterinário militar, abandonou a casa de seus pais com 17 anos para ir viver para a França e depois para os Estados Unidos. Aqui trabalhou como empregado de mesa e dançarino de tango. Foi na condição de bailarino que se estreou no cinema em My Official Wife (1914). Continuou a trabalhar em cinema, sempre em papéis secundários de personagens latinos. A sua grande oportunidade surgiu quando o realizador Rex Ingram confiou no seu carisma sexual para protagonizar Four Horsemen of the Apocalipse (Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, 1921). O filme foi um sucesso e o magnetismo de Valentino cativou imediatamente o público feminino. Filmes como The Sheik (O Xeque, 1922), Blood and Sand (Sangue e Arena,  1922), The Eagle (A Águia, 1925), Cobra (1925) e The Son of the Sheik (O Filho do Xeque, 1926) confirmaram a sua fama e estatuto de primeira estrela de Hollywood. A sua morte inesperada provocou uma histeria colectiva entre as suas fãs, tendo comparecido ao seu funeral 80 mil mulheres.
O corpo de Valentino ficou exposto durante alguns dias numa funerária de Los Angeles. Milhares de pessoas, em lágrimas, lutavam contra a polícia para se despedir do astro. Ao lado do caixão estavam quatro agentes supostamente enviados por Benito Mussolini. Em 30 de Agosto, houve cerimónias fúnebres na igreja de São Malaquias.  Inúmeras celebridades de Hollywood estiveram presentes, entre elas, Mary Pickford, Douglas Fairbanks e Gloria Swanson. 
Rudolph Valentino. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2010
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Ficheiro:Rudolph valentino i sangue e arena, 1922.jpg


No filme Sangue e Areia


23 de Agosto de 1754: Nasce em Versalhes Luís XVI

Luís XVI de Bourbon, nascido a 23 de Agosto de 1754 em Versalhes e executado a 21 de Janeiro de 1793 em Paris, foi rei de França entre 1774 e1791. Quando subiu ao trono em 1774, tinha 20 anos e as finanças reais não se encontravam numa situação favorável e assim permaneceram até o eclodir da Revolução Francesa, altura em que Luís XVI foi deposto. Criou (1789) o Estado-Geral, mas não desenvolveu as reformas prometidas o que provocou a Revolução, um dos acontecimentos mais importantes da Idade Moderna. Ele e a sua esposa, Marie Antonieta, foram executados na guilhotina (1793) na Place de la Révolution, depois Place de la Concorde, em Paris. Filho de Luís XV e de Maria Josefa da Saxónia, tornou-se delfim, herdeiro do trono, com a morte do pai em 1765. Cinco anos depois, casou-se com a arquiduquesa austríaca Maria Antonieta de Habsburgo, filha da imperatriz Maria Teresa da Áustria. Assumiu o trono (1774), após a morte de seu avô Luís XV. Reconhecido como um rei de carácter fraco, perdeu a sua força de governação para o Parlamento, dominado pela aristocracia, o que levou o reino quase à falência. Devido às más  condições climáticas (1788), a produção de alimentos baixou, os preços aumentaram e houve fome, conduzindo ao descontentamento. Incumbiu o ministro Turgot de realizar uma reforma tributária, mas este sofreu forte oposição dos nobres e demitiu-se. Tentando salvar a corte deixou-se dominar pelas facções mais reacionárias lideradas pelo seu irmão, o conde de Artois, e pela rainha Antonieta. O novo ministro Necker convenceu o rei a convocar a Assembleia dos Estados Gerais, que se reuniram em Maio (1789) em Versalhes. O que se queria é que o Terceiro Estado pagasse os impostos que o clero e nobreza não pagavam. A estratégia era que a votação fosse feita por ordem e não por indivíduos. Em 17 de Junho daquele ano o Terceiro Estado reuniu-se em separado e proclamou a Assembleia Nacional, que em 9 de Julho tornou-se Assembleia Nacional Constituinte. No dia 26 de Agosto foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Diante da criação da Assembleia Nacional e da recusa do rei em aprová-la e a massa parisiense invadiu Versalhes, a família real tentou fugir do país, mas foi capturada e obrigada a ficar em Paris. Tentou então fugir do Palácio das Tulherias (1791) para comandar do exterior a contra-revolução, porém foi reconhecido e preso em Varennes. A sua derradeira esperança estava na Áustria, terra natal da rainha Maria Antonieta. O exército austro-prussiano invadiu a França, mas foi derrotado em Setembro (1792) e, então, foi proclamada a República. O rei e a rainha julgados por traição, condenados à morte na guilhotina, a monarquia abolida (1792) e ele executado em 21 de Janeiro (1793).
Fonte:s net.saber
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File:Antoine-François Callet - Louis XVI, roi de France et de Navarre (1754-1793), revêtu du grand costume royal en 1779 - Google Art Project.jpg
Luís XVI - Antoine-François Callet
 
  Luís (à direita) e o seu irmão o Conde da Provença (à esquerda), na sua infância -  por François Hubert Drouais
 File:François hubert drouais - duque berry conde provença.jpg
Casamento de Luís XVI e Maria Antonieta

 File:Louis XVI at the Tour du Temple Jean Francois Garneray 1755 1837.jpg
  
Luís XVI na prisão Tour du Temple -Jean-François Garneray