quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

14 de Dezembro de 1918: Sidónio Pais, presidente da República, é assassinado, em Lisboa, junto à estação do Rossio.

Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, foi assassinado no dia 14 de Dezembro de 1918, quando exercia a Presidência de Portugal, por José Júlio da Costa, activista da esquerda republicana. 
Na política,  Sidónio Pais, exerceu as funções de deputado, ministro do Fomento, ministro das Finanças, embaixador de Portugal em Berlim, ministro da Guerra, ministro dos Negócios Estrangeiros, presidente da Junta Revolucionária de 1917, presidente do Ministério e presidente da República Portuguesa.

Exerceu a Presidência de forma ditatorial, suspendendo e alterando por decreto normas essenciais da Constituição Portuguesa de 1911.  Foi  cognominado o presidente-rei.
Quando em 1918 ocorreu uma greve dos trabalhadores rurais no Vale de Santiago, José Júlio da Costa assumiu a posição de negociador entre as autoridades e os grevistas, alcançando um acordo. A actuação daqueles trabalhadores, liderados pela ala anarquista da Comuna da Luz de António Correa, foi considerada perigosa para a ordem pública. O governo não aceitou os termos do acordo, sendo os grevistas severamente punidos e alguns deportados para África.

Sentindo-se traído pela falta de palavra das autoridades, Costa jurou vingar os seus conterrâneos do Vale de Santiago, decidindo assassinar Sidónio Pais, visto então pela esquerda radical como o ditador cuja acção era a fonte da opressão das classes trabalhadoras e como o traidor que abandonara à sua sorte o Corpo Expedicionário que combatera em França.

Costa deslocou-se de Garvão, no  Baixo-Alentejo, até Lisboa, com o objectivo de acabar com o regime sidonista, ou seja pôr termo à República Nova, assassinando o seu líder. A acção foi cuidadosamente preparada, como indica uma carta escrita por ele mesmo em 12 de Dezembro.

No dia 14 de Dezembro, após jantar no restaurante Silva, localizado no Chiado, dirigiu-se à Estação do Rossio, onde aguardou a chegada do chefe de Estado que deveria partir rumo à cidade do Porto. Quando Sidónio Pais se preparava para o embarque, no primeiro andar da estação, Costa furou o duplo e compacto cordão policial ao mesmo tempo em que disparava uma pistola, escondida pelo seu capote alentejano. O primeiro projéctil alojou-se junto do braço direito do presidente, e o segundo, fatalmente, no ventre, fazendo com que a vítima caísse de imediato por terra.
Apesar da enorme confusão que se instalou, e de que resultaram quatro mortos,  José Júlio Costa, não tentou fugir, deixando-se capturar.
Embora não existam provas convincentes, sempre circularam teses que apontavam para o envolvimento da maçonaria na preparação do assassinato de Sidónio, alegando-se que Costa estaria ligado àquela sociedade secreta. Apesar dos rumores, próprios de uma época em que a maçonaria estava sob forte ataque por parte dos círculos mais conservadores, sabia-se que Costa nutria grande simpatia pelo grão-mestre Sebastião de Magalhães Lima. O grão-mestre em carta enviada a um correligionário, afirmou ter mantido contacto com Costa, mas “ achou-o muito doente, receando mesmo pela sua vida que tão preciosa é a esta nossa tão amada terra”. Carecem de prova os rumores de que teria escrito uma carta a Magalhães Lima, que, sem mencionar o pretendido assassinato, teria sido encontrada nos bolsos do grão-mestre quando foi preso e conduzido ao calabouço na noite do assassinato.

Um dos motivos apontados pelos defensores desta tese é o facto de Sidónio ter sido maçom, alegando-se que a maçonaria não perdoaria que os seus antigos membros abandonassem a organização, criando desse modo o mito que Sidónio teria sido morto por outro maçom.

Outro motivo que apontava a cumplicidade da maçonaria na morte do presidente era o conhecido apoio dado pela maçonaria à República e aos republicanos que Sidónio vinha traindo e perseguindo. Tal sentimento tinha levado a uma radicalização de posições, com os defensores do sidonismo a acusar a maçonaria de estar por detrás do atentado fracassado que sofrera em 5 de Dezembro. A reacção antimaçónica levara a que no dia imediato, a 6 de Dezembro, a loja do Grande Oriente Lusitano Unido fosse invadida e saqueada.

A tese de que José Júlio da Costa pertencia à maçonaria jamais foi confirmada, apresentando-se como pouco provável pois aquela era uma organização elitista e urbana, onde um militar de baixa patente dificilmente entraria. No caso de Costa fazer parte de alguma associação secreta, o que não seria de estranhar devido ao seu empenho político, provavelmente pertencesse à Carbonária, um movimento bem mais radical e com forte implantação nas áreas rurais e entre  praças e sargentos das forças armadas. Contudo, desconhecem-se provas da ligação de José Júlio com qualquer associação secreta.


José Júlio da Costa faleceu em 1946, aos 52 anos, internado no Hospital Miguel Bombarda, depois de 28 anos preso, sem direito a julgamento.


Fontes: Opera Mundi
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Sidónio Pais


Sidónio Pais derruba o governo de Afonso Costa — «Ultimo acto d'um valente».
File:Murder of Sidonio Pais at Lisboa-Rossio Railway Station.jpg


Bilhete-Postal de 1919, retratando o assassinato do Presidente Sidónio Pais na Estação Ferroviária de Lisboa-Rossio, no dia 14 de Dezembro de 1918

14 de Dezembro de 1911: Roald Amundsen chega ao Polo Sul

A corrida da primeira expedição ao Polo Sul começou em Junho de 1910, quando Robert Scott deixou a Inglaterra no navio Terra Nova em direcção ao Hemisfério Sul.
Dois meses depois, o norueguês Roald Amundsen partia com o mesmo objectivo, já que não havia conseguido ser o primeiro a chegar ao Polo Norte. Frustrado, ele ouvira em 6 de Abril de 1909 a notícia de que Robert Edwin Peary havia completado a façanha antes dele e decidiu concentrar os seus esforços na conquista do Polo Sul.
Experiente na sobrevivência a baixas temperaturas (já havia passado um inverno na Antártica e participado de excursões ao Ártico), ele sabia que cães esquimós eram mais adequados que os póneis escolhidos por Scott para puxar os trenós.
Além disso, Amundsen levou sacos de dormir forrados com peles grossas, uma cabana semipronta e várias tendas impermeáveis.
A verdadeira aventura desta expedição ao continente gelado começou a 20 de Outubro de 1911. Até aí, Amundsen havia passado oito meses a estudar a região. Várias vezes ele havia avançado até 85 graus de latitude, depositando reservas de comida. As temperaturas chegavam aos 50 graus negativos, como registou Amundsen no seu diário.
A primeira incursão ao Polo Sul havia sido interrompida em Setembro, quando Amundsen e os seus quatro melhores homens desistiram por causa das fortes tempestades de neve. Em Outubro,  com a chegada do Outono, Amundsen partiu novamente com os seus quatro companheiros, levando quatro trenós e 48 cães. Cada trenó transportava 330 quilos de mantimentos e equipamentos.
Os primeiros 150 quilómetros foram percorridos de trenó. Nos 500 quilómetros seguintes, foram rebocados por esquis, sem gastar muita energia. Depois de chegarem  a 3,2 mil metros de altura, mataram os 24 cães em pior estado e guardaram a carne para quando retornassem.
No dia 14 de Dezembro de 1911, finalmente, desfraldaram a bandeira da Noruega no Polo Sul. O triunfo foi comemorado com charutos. O grupo partiu quatro dias depois. Sabendo que Scott ainda chegaria, deixaram uma tenda, peças de roupa, vários instrumentos para orientação e uma carta:
"Prezado senhor comandante Scott, já que tudo indica que o senhor será o próximo a atingir este local, peço que envie esta carta ao rei Haakon 7º. Caso possam fazer uso de alguma coisa que deixamos, não hesitem. Espero que o trenó também possa ser útil. Atenciosamente e com os votos de um bom retorno, seu Roald Amundsen."
Seis semanas demorou a viagem de retorno até à base da equipa de Amundsen. Scott, por seu lado, também chegou ao acampamento deixado por Amundsen. A moral do grupo, entretanto, ficou bastante abalada ao saber que não tinham sido os primeiros.
Nas suas anotações, Scott culpou o mau tempo pelo fracasso. Ele e o grupo morreram de frio e de fome. O último registo foi feito a 19 de Março de 1912, quando estavam a 17 quilómetros de um depósito de comida. Os corpos foram encontrados oito meses depois por uma equipa de resgate.
Fontes:www.dw
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Roald Amundsen
File:Roald Amundsen LOC 07622u.jpg

A Conquista do Polo Sul

Ficheiro:Amundsen Expedition at South Pole.jpg
Da direita para a esquerda: Roald AmundsenHelmer Hanssen,Sverre Hassel e Oscar Wisting em "Polheim", a tenda instalada no Polo Sul em 16 de Dezembro de 1911. A bandeira é a da Noruega. Fotografia de Olav Bjaaland.

File:Amundsen-in-ice.jpg

14 de Dezembro de 1799: Morre George Washington, primeiro presidente dos EUA

Primeiro presidente dos Estados Unidos da América, era filho de Augustine Washington e de Mary Ball Washington, tendo nascido na Virgínia (Westmoreland County) a 22 de Fevereiro de 1732, e falecido a 14 de Dezembro de 1799, em Mount Vernon. Fazendo parte de uma família tradicional e abastada, a sua educação foi bastante completa. Em 1748 tornou-se zelador das propriedades de Shenandoah Valley pertencentes a Lord Fairfax e mais tarde de todo o condado de Culpeper. A guerra movida contra a pretensão francesa de domínio do vale do Ohio, que se desenrolou entre 1754 e 1763, inaugurou a ascensão militar de Washington, tendo com a missão ao Fort Boeuf (1753) conseguido o lugar de tenente coronel. O diário desta empresa foi também publicado em Williamsburg, logo após o seu retorno. Contudo, o domínio de Inglaterra sobre as colónias americanas começou a causar revoltas, tendo então Washington iniciado a sua atividade política na Assembleia de oposição da Virgínia, que protestava perante o agravamento das tributações impostas e falta de liberdade de ação. Em 1774 foi ele que representou a Virgínia no Primeiro Congresso Continental de Filadélfia, que se reuniu para discutir as medidas a tomar contra os colonizadores. No Segundo Congresso Continental, que se realizou no seguinte ano, foi eleito cabeça do exército que seria formado para a Guerra da Independência (1775-1783). Reuniu o dito exército e com ele ganhou as batalhas de Trenton e Princeton, em 1776, praticando uma guerra de guerrilha até que a Espanha e a França entraram em cena, constituindo um decisivo peso para a vitória americana, na batalha de Yorktown, em 1781. Dois anos depois era reconhecida a independência, Washington foi presidente da Convenção Constitucional de Filadélfia, em 1787, e fez com que a nova Constituição fosse aprovada por todos os estados em 1789. A partir desta data (30 de Abril de 1789) tornou-se presidente dos Estados Unidos, tendo sido reeleito em 1892 e recusado um terceiro mandato. Fundou a cidade de Washington em 1793 e praticou uma política de desenvolvimento económico com base capitalista e de colonização de zonas até então de exclusivo povoamento índio (como o Tenessee e o Kentucky). Assinou também um acordo de paz com a Grã-Bretanha em 1794, chamado o "Jay's Treaty", o que provocou o descontentamento do partido democrata republicano liderado por Thomas Jefferson por considerar tal tratado uma ingratidão para com os franceses (que tinham prestado auxílio durante a Guerra da Independência) e subserviente em relação aos antigos colonizadores. Foi por esta razão que estalou a "Revolta do Whiskey", na Pensilvânia. George Washington casou com uma viúva, Martha Dandridge Custis. Faleceu em 1799 em Mount Vernon (para onde se tinha retirado após o termo da sua presidência, em 3 de Março de 1797).
George Washington. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Retrato de George Washington - Gilbert Stuart

Retrato de George Washington -John Trumbull
File:Washington's Inauguration.jpg
 Tomada de posse de George Washington como presidente dos EUA Ramon de Elorriaga
George Washington  no leito de morte

14 de Dezembro de 1503: Nasce Nostradamus, conhecido pelas suas profecias

Médico do século XVI, Michel de Nostradame nasceu a 14 de dezembro  ou 21 dezembro de 1503 (dependendo das fontes), em Saint Remy, na França, no seio de uma família judia.Graças aos ensinamentos dos seus avôs, quando Michel foi para a escola, em Avignon, aprender filosofia, gramática e retórica, tinha conhecimentos profundos de literatura clássica, história, medicina, astrologia (que na altura era considerada uma ciência legítima) e medicina natural.
Nostradamus (versão do seu nome em Latim) tornou-se conhecido pelo tratamento que concebeu para combater a Peste Negra, que deflagrou na Europa durante o século XVI. A cura utilizada por Michel de Nostradame consistia na limpeza do corpo e administração de vitamina C aos seus pacientes. Sempre que entrava numa localidade para dar consultas, o médico pedia que fossem retirados das ruas todos os corpos que se encontravam abandonados.Em 1537 a peste chegou a Agen, onde Nostradamus vivia com a família. Ocupado com a cura da população, não conseguiu salvar a mulher e os dois filhos. Começou a questionar as suas capacidades enquanto médico e, desapontado, viajou pela Europa sem destino durante seis anos. Foi nessa altura que Nostradamus se apercebeu dos seus poderes proféticos.
Dez anos depois da morte da sua família, Michel de Nostradame mudou-se para Salon, onde voltou a casar. Na sua casa montou um estúdio privado, onde instalou um astrolábio, espelhos "mágicos", um tripé e um recipiente de vidro de forma redonda, que ele desenhou a partir dos modelos usados nos oráculos.
À noite Nostradamus retirava-se para o estúdio, onde fazia experiências com ervas pungentes. Durante alguns anos o médico optou por não divulgar as suas descobertas científicas.

Em 1550 publicou o primeiro almanaque de profecias, Quadras um conjunto de doze quadras com profecias genéricas para cada altura do ano que se aproximava. As críticas favoráveis encorajaram Nostradamus a continuar.

O seu trabalho mais conhecido, As Centúrias, foi iniciado em 1554. A primeira centúria foi publicada em Lyon, em 1555. As restantes publicaram-se nesse mesmo ano, sendo finalizadas em 1558, mas Michel de Nostradame decidiu não as distribuir em grande número. As Centúrias foram impressas por mais de 400 anos.

No seu tempo, bem como atualmente, as quadras proféticas tiveram várias interpretações. As combinações de francês com o provençal, o grego, o latim e o italiano escritas como enigmas, anagramas e epigramas são complexas e exigem que o potencial intérprete tenha conhecimentos de vários campos temáticos.

Algumas quadras de Nostradamus podem encontrar significações em diversas épocas, mas as que lhe deram a fama de ser um dos maiores profetas foram as quadras precisas. À exceção das profecias que se concretizaram no tempo de Nostradamus, é difícil poder dar uma interpretação exata das previsões que o profeta fez e que ainda não se cumpriram.

Apesar de nos últimos anos da sua vida Michel de Nostradame ter sofrido de artrite e de gota, parentes e amigos seus afirmaram que o médico sempre se manteve alerta às profecias.


Um dos factos que admirou grande número de pessoas foi a previsão que Nostradamus fez da sua própria morte.

Nostradamus morreu na madrugada do dia 1 de julho de 1566. O seu epitáfio é uma exaltação ao seu carácter profético.

Nostradamus. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
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Centúrias impressas em Turim

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

13 de Dezembro de 1944: Morre o pintor russo Wassily Kandinsky

Artista plástico russo nasceu em 1866, em Moscovo, e faleceu  no dia 13 de dezembro de 1944, em Neuilly-sur-Seine. Só depois de estudar Economia Política e Direito se decidiu pela pintura. Trabalhou durante quatro anos sob a orientação de Anton Azbé, em Munique. A descoberta do Fauvismo, em Paris, foi crucial para a sua carreira. Com Franz Marc, em 1911, fundou o grupo Blaue Reiter, formado por pintores de tendência simbolista, embora seguindo com interesse as experiências de Kandinsky na pintura abstrata. Diante de Medas de Feno, de Monet, teria dito que o assunto já não era um elemento inevitável no quadro, mas levou quinze anos para começar a pôr em prática esta assumpção. Veio a teorizar o abstracionismo em Acerca do Espiritual na Arte (1912). Concebia a Arte como a expressão do espírito humano e a linguagem mais eficaz para obter essa expressão seria a das formas puras, das cores puras, que garantisse o afastamento de qualquer conteúdo literário ou simbólico. No fundo, preocupava-se em dar uma base científica ao seu misticismo. Entre 1910 e 1913 todo o simbolismo foi desaparecendo do seu trabalho e esta evolução é evidente na série de Composições. A primeira composição representa visivelmente um cavalo e um cavaleiro, mas em cada uma vai criando um maior grau de abstracionismo, de tal maneira que na n.o 7 apenas resta uma sensação de movimento. De volta à Rússia, depois da Revolução, organizou museus e academias de arte, à semelhança de Chagall. Preocupou-se essencialmente com a forma e a cor na pintura, utilizando um estilo geométrico e anguloso. Veio mais tarde a desenvolver esta linguagem na escola Bauhaus, na Alemanha, para onde voltou em 1921, quando o seu trabalho começou a ser olhado com desagrado pelas instituições políticas soviéticas. Em Tensão extrema pretendeu transmitir um estado de espírito usando formas geométricas e a cor como mero auxiliar. A base teórica desta fase encontra-se em Ponto e Linha em relação ao Plano (1926). Depois de a Bauhaus ter sido extinta pelos nazis, em 1933, Kandinsky instalou-se em Paris. Nos últimos trabalhos as composições eram mais complexas, as formas tornaram-se mais livres, irregulares, as linhas ondulantes, emprestando um certo sentido de vida orgânica. Kandinsky surge atualmente como uma figura-chave para a compreensão do abstracionismo, sendo ainda dos primeiros a propor uma base teórica para esta corrente estética.
Fontes: Infopédia
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Painting of white horse and blue rider galloping across a green meadow from right to left

O Cavaleiro Azul -  Wassily Kandinsky

Composição VI - Wassily Kandinsky

13 de Dezembro de 1521: Morre D. Manuel I, "O Venturoso"

Monarca português, filho do infante D. Fernando, irmão de D. Afonso V, e de D. Brites, nasceu a 31 de maio de 1469, em Alcochete e faleceu a 13 de dezembro de 1521, em Lisboa. Décimo quarto rei de Portugal (1495-1521), é conhecido pelo cognome de "o Venturoso". Casou três vezes. Primeiro, em 1497, com D. Isabel, filha dos Reis Católicos e viúva do príncipe D. Afonso, filho de D. João II. Com a morte de D. Isabel, de parto, casou pela segunda vez, em 1500, com a infanta D. Maria de Castela, irmã de D. Isabel. Deste casamento nasceram vários filhos, entre eles D. João, o futuro rei, e D. Beatriz, duquesa de Saboia. Viúvo novamente, casou, em 1518, com a infanta D. Leonor, irmã de Carlos V.D. Manuel subiu ao trono em 1495, após a morte de D. João II, seu cunhado, de acordo com o testamento do falecido rei. Tal ficou a dever-se à morte do único filho legítimo de D. João, o príncipe D. Afonso, e à não aceitação de legitimação de um filho bastardo de D. João. Foi ainda possível porque tinham morrido os outros irmãos mais velhos de D. Manuel.No plano interno, D. Manuel I vai continuar a centralização do poder, mas de uma maneira mais sensata que D. João II. Logo nas Cortes de Montemor-o-Novo, no início do seu reinado, foram tomadas medidas que vão nesse sentido, como mandar confirmar as doações feitas, os privilégios e cartas de mercê; reformou os tribunais superiores. Por outro lado, reuniu Cortes mais três vezes: em 1498, em 1499 e em 1502.Em 1496, obriga todos os judeus e mouros que não quisessem batizar-se a sair do país no prazo de dez meses, sob pena de confisco dos bens e condenação à morte.
Como as Ordenações Afonsinas estavam desatualizadas, o rei mandou proceder a nova compilação das leis. Assim, entre 1512 e 1531, são publicadas as Ordenações Manuelinas. D. Manuel procede também à reforma dos forais, bem como da sisa e dos direitos alfandegários.
No que respeita à política ultramarina, quando sobe ao trono, em 1495, tinha-se dobrado o Cabo da Boa Esperança e preparava-se a viagem marítima que levaria os portugueses até à Índia. D. Manuel deu continuidade a esses preparativos e em 5 de julho de 1497 partia de Lisboa uma armada chefiada por Vasco da Gama, que atingiu Calecute em 20 de maio de 1498. Estava consumada a descoberta do caminho marítimo para a Índia. Em 1500 manda D. Manuel uma outra armada à Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral, que, desviando a rota mais para sudoeste, acaba por atingir as costas da Terra de Vera Cruz. Estava descoberto o Brasil, que se encontrava ainda nos nossos limites do Tratado de Tordesilhas, o que leva a supor que D. João II tinha conhecimento destas terras aquando da assinatura do Tratado.D. Manuel decide enviar todos os anos uma armada à Índia, não para consolidar o domínio português no Oriente como para ajudar na luta contra os inimigos dos portugueses naquelas paragens. Para poder impor a nossa presença, D. Francisco de Almeida foi para a Índia como vice-rei, tentando manter o monopólio da navegação e do comércio português na área, com certos apoios em terra, sendo Cochim o respetivo centro. Sucede-lhe Afonso de Albuquerque, que conquistou Goa, transformada então em capital do Estado da Índia, e manda proceder à exploração de outras terras daquelas paragens, chegando a Timor.No reinado de D. Manuel fizeram-se também viagens para ocidente, tendo-se atingido a Gronelândia e Labrador. No Norte de África prosseguiram algumas conquistas, como Safim e Azamor.Nas relações com os outros países, o rei tentou usar da maior habilidade e diplomacia, procurando manter-se neutral e não se envolvendo nas lutas do seu tempo. Ficou célebre, pelo seu fausto, uma comitiva que enviou ao papa Leão X em 1513.
A nível cultural, D. Manuel procedeu à reforma dos Estudos Gerais, criando novos planos de estudo e bolsas de estudo. É nesta época que surge o estilo manuelino, com motivos inspirados no mar e nas grandes viagens, em monumentos como o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. É na sua Corte ainda que surge Gil Vicente.D. Manuel vem a falecer em 1521, estando sepultado no Mosteiro dos Jerónimos.
D. Manuel I. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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D. Manuel I - Autor desconhecido
O Terceiro casamento de D. Manuel I - Garcia Fernandes
Ficheiro:Xilogravura das Ordenações Manuelinas.png


Reprodução de uma xilogravura da edição de 1514 das Ordenações Manuelinas, impressa por João Pedro Buonhomini nas instalações de Valentim Fernandes, em Lisboa