quarta-feira, 28 de setembro de 2016

28 de Setembro de 1865: Nasce D. Amélia, última Rainha de Portugal

Maria Amélia Luísa Helena de Orleães nasceu em Twickenham, a 28 de Setembro de 1865 e faleceu em Chesnay, a 25 de Outubro de 1951. Foi a última rainha de facto de Portugal.
Era filha de Luís Filipe Alberto de Orleães, conde de Paris, e da princesa Isabel de Orleães, filha dos duques de Montpensier. 
Quando a família Orleães foi banida de França, estabeleceu a sua residência em Inglaterra, onde Amélia nasceu. Sendo muito inteligente adquiriu muitos conhecimentos literários, afirmando-se ao mesmo tempo uma notável sports­woman. A par dos seus estudos,  feitos sob a direcção dos mais afamados professores, recebia também uma sólida educação de família ministrada pela mãe. Foi por intermédio da duquesa de Montpensier que se preparou o casamento da princesa Maria Amélia, sua neta, com o então príncipe D. Carlos. Foi o conselheiro Andrade Corvo, ministro de Portugal em Paris em 1886, o encarregado de entregar as cartas autografas, do rei D. Luís e da rainha  D. Maria Pia, ao conde e condessa de Paris, em que era pedida em casamento a princesa . Esta cerimónia realizou-se no palácio de Varennes no dia 7 de Fevereiro do referido ano.
Sendo favorável a resposta dos condes de Paris, o casamento de D. Carlos deixou de ser segredo de estado, e foi declarado oficialmente no dia 8 do citado mês e ano. A futura rainha de Portugal recebeu em Paris em 11 de Fevereiro as maiores provas de simpatia por parte da aristocracia francesa e dalgumas povoações de França.
No dia 15 de Maio realizou-se no palácio Galliera, da rua Varennes, em Paris, o baile de despedida, saindo a futura rainha de Portugal no dia 18, chegando a Lisboa a 19 às 5 horas da tarde. Foi uma verdadeira festa. O príncipe D. Carlos havia partido na véspera ao encontro da sua noiva, pernoitou na Pampilhosa, onde esperou o comboio em que vinha a princesa, com os seus pais, irmã e irmão, a princesa de Joinville, e todo o numeroso séquito que desde Paris a acompanhava. Depois de almoçarem na estação do caminho-de-ferro, seguiram no expresso para Lisboa, sendo em todas as estações saudados com entusiasmo. O comboio, como referido, chegou no dia 19 pelas 5 horas da tarde à estação de Santa Apolónia; onde os reais viajantes eram esperados por toda a família real, o duque de Aosta, a corte e o ministério. Dali seguiram todos em carros descobertos para o paço das Necessidades, que se destinara para a hospedagem dos condes de Paris no meio de grandes aclamações do povo que se aglomerava por todas as ruas daquele longo caminho.
A cerimónia do casamento realizou-se a 22 de Maio, vendo-se ornamentadas elegantemente todas as ruas por onde seguia o cortejo. Durante alguns dias houve pomposas festas: iluminações brilhantes, récitas de gala nos teatros de S. Carlos e de D. Maria, que se viam ricamente adornados, baile no paço da Ajuda, parada militar na Avenida da Liberdade, fogo de artifício, corridas de cavalos, tourada, dada pelo Turf Club, etc. 
D. Amélia fundou a Assistência Nacional aos tuberculosos, instituição de que nasceram os Dispensários e interessou-se particularmente pela prosperidade desta  obra. Mostrou sempre o maior interesse pela medicina, e pelos cuidados de enfermeira. Foi também muito dedicada às belas artes.
Em Junho de 1901 fez uma viagem à ilha da Madeira e aos Açores em companhia do rei   Percorreram a Madeira e todas as ilhas dos Açores, sendo recebidos em toda a parte com o maior entusiasmo, organizando-se festas brilhantes em sua homenagem. Em 1903, por conselho dos médicos, fez uma viagem ao Oriente, a bordo do iate D. Amélia, levando em sua companhia os seus filhos, o príncipe D. Luís Filipe e o infante D. Manuel.
A  tragédia de 1 de Fevereiro de 1908, em que foram assassinados  o rei D. Carlos I e o príncipe  D. Luís Filipe,lançou-a num profundo desgosto, do qual D. Amélia jamais se recuperou totalmente. Retirou-se então para o Palácio da Pena, em Sintra, não deixando porém de procurar apoiar, por todos os meios, o seu filho, o rei D. Manuel II, no período em que se assistiu ao degradar das instituições monárquicas. Encontrava-se justamente no Palácio da Pena, quando eclodiu a revolução de Outubro de 1910.
Após a proclamação da República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910, D. Amélia seguiu o caminho do exílio com o resto da família real portuguesa para Londres, Inglaterra. Depois do casamento de D. Manuel II, com Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen, a rainha passou a residir em Château de Bellevue, perto de Versalhes, em França. Em 1932, D. Manuel II morreu inesperadamente em Twickenham, o mesmo subúrbio londrino onde a sua mãe havia nascido.
No dia 25 de Outubro de 1951, a rainha Amélia faleceu na sua residência em Versalhes, aos oitenta e seis anos. O corpo da rainha foi então trasladado pela fragata Bartolomeu Dias para junto do marido e dos filhos, no panteão real dos Bragança, na Igreja de São Vicente de Fora. Esse foi o seu último desejo na hora de sua morte. O funeral teve honras de Estado e foi visto por grande parte do povo de Lisboa.
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Retrato de D. Amélia (1905) - Vittorio Matteo Corcos
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D. Amélia como rainha de Portugal





28 de Setembro de 1863: Nasce D. Carlos, "O Diplomata"

Monarca português, filho de D. Luís e de D. Maria Pia de Saboia, nasceu em Lisboa a 28 de setembro de 1863. Aí também morreu assassinado no dia 1 de fevereiro de 1908. Trigésimo terceiro rei de Portugal (1889-1908), ficou conhecido pelos cognomes de o Martirizado e o Diplomata. Casou em 1886 com D. Amélia de Orleães, princesa de França, filha dos condes de Paris, de cujo enlace nasceram D. Luís Filipe e D. Manuel. O seu reinado ficou marcado por eventos que fomentariam o espírito republicano e o descrédito crescente do regime monárquico.
 
O primeiro destes eventos aconteceria logo em 1890: o ultimato inglês, motivado pelo "Mapa cor-de-rosa" (1886) que punha em causa as pretensões do imperialismo britânico, nomeadamente o ensejo de ligar o Cabo ao Cairo. Portugal foi obrigado a abandonar os territórios africanos em questão, o que constituiu uma humilhante derrota para a diplomacia portuguesa e para o País. Este facto provocou uma explosão de sentimentos antibritânicos um pouco por todo o reino e em todos os quadrantes políticos. Este ambiente é aproveitado pelos republicanos que, após este incidente diplomático, reagem com maior veemência do que nunca. No Porto, estala uma revolta que acabaria por fracassar mas que proclamaria a República pela primeira vez na História portuguesa (o 31 de janeiro de 1891).
O rotativismo entre os Partidos Progressista e Regenerador entrara em descrédito, aumentando de eleição para eleição o número de representantes republicanos.
Assim, em maio de 1906, D. Carlos chama João Franco a formar Governo, o qual, contrariando promessas anteriormente feitas, encerra a Assembleia Legislativa e dá início a uma ditadura. A ditadura de João Franco desencadeou uma onda de protestos, sobretudo devido aos adiantamentos à Casa Real e à repressão política. Em 21 de janeiro de 1908, uma tentativa revolucionária foi dominada pelo Governo, tendo sido feitas inúmeras prisões. Na sequência deste movimento, foi elaborado um decreto que previa a deportação do reino para os conspiradores, decreto que D. Carlos promulgou. Passados poucos dias, em 1 de fevereiro de 1908, chegava a família real portuguesa a Lisboa vinda de Vila Viçosa, desembarcava junto do Terreiro do Paço e daí seguia para o Paço das Necessidades quando se deu o regicídio, no qual morreram D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe, o herdeiro do trono.
Fontes:Infopédia
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O Baptismo de D. Carlos
Cerimónia da aclamação de D. Carlos

Pintura equestre do rei D. Carlos- Carlos Reis
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Ilustração do regicídio de 1908

28 de Setembro de 1895: Morre o cientista francês Louis Pasteur

Químico e bacteriologista francês, nasceu em Dole, a 27 de Dezembro de 1822, e faleceu em Chateau de Villeneuve l Etang, perto de Paris, a 28 de Setembro de 1895.

Filho de um curtidor de peles, interessou-se, enquanto criança, pela pintura e pelo desenho, artes para as quais demonstrou ter grande habilidade. Aos 17 anos, foi bacharel em letras pelo College Royal de Besancon e aos 20 ingressou na École Normale Supérieure de Paris. Foi aqui que iniciou os seus estudos sobre os cristais e onde acabou por se formar em Química e Física.

Após o doutoramento, em 1848, foi indicado para o cargo de Professor de Química na Universidade de Estrasburgo onde conheceu Marie Laurent, filha do reitor da universidade, com quem viria a casar ainda nesse ano. Logo a seguir anunciou as suas primeiras descobertas sobre a assimetria dos cristais. Em 1854 tornou-se Professor de Química e reitor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lille, iniciando aí os seus estudos sobre a fermentação (lática e alcoólica) e sobre os problemas que envolviam a fabricação do álcool, do vinho e do vinagre, preocupando os produtores daquela época por, grande parte das vezes, o produto da fermentação azedar e não se transformar em álcool. 


Depois de demonstrar que a acidificação do vinho ocorria devido à presença de micro-organismos vivos - que não eram gerados pela bebida mas que se encontravam no ar -, descobriu que aqueles micro-organismos não conseguiam resistir a um aquecimento de 60ºC ou superior. Estava criada a pasteurização.


Nos finais de 1857, Pasteur foi convidado para Administrador e Director dos Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Aqui, idealizou uma experiência para provar a sua teoria de que não existia geração espontânea entre os microrganismos e, assim, contrariar a opinião da maioria dos elementos da comunidade científica da sua época. O resultado daquela experiência serviu de base para a elaboração posterior de um conjunto de regras a serem aplicadas nos hospitais de forma a controlar as infeções e, consequentemente, a taxa de mortalidade pós-operatória.
A partir de outubro de 1868, e por várias semanas, Pasteur permaneceu fisicamente limitado como resultado de uma paralisia (provavelmente um acidente vascular cerebral) que, mesmo após recuperação, lhe deixou algumas marcas. No entanto, durante todo este tempo não deixou de estudar e de prosseguir com os seus trabalhos de investigação.



Por volta de 1877 foi-lhe solicitada ajuda com o objectivo de combater uma praga (antraz) que dizimava os gados ovino e bovino franceses. Iniciou então um conjunto de estudos sobre a capacidade de os organismos desenvolverem as suas próprias defesas. Estudou a raiva animal, publicando nos anos seguintes várias obras sobre o tema, e efetuou os seus primeiros tratamentos contra a raiva humana em 1885, sendo o seu primeiro doente um menino que havia sido mordido por um cão. Tanto este caso como os que se lhe seguiram foram tratados com sucesso - tinha criado a vacinação.
Pasteur. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. 
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Louis Pasteur no seu  laboratório, obra de  A. Edelfeldt 


 

28 de Setembro de 1891: Morre o escritor Herman Melville, autor de Moby Dick

Herman Melville, escritor, poeta e ensaísta norte-americano morre em Nova Iorque no dia 28 de Setembro de 1891, aos 72 anos, em total obscuridade. O obituário do jornal The New York Times registava o nome como "Henry Melville". Embora tenha obtido grande sucesso no início da carreira, a sua popularidade foi decaindo ao longo dos anos. Faleceu sem conhecer o sucesso que a sua mais importante obra, o romance Moby Dick, alcançaria no século XX. O livro foi publicado em 1851 sob o título de "A Baleia", não obtendo sucesso da crítica.
Herman Melville foi o terceiro filho de Allan e Maria. Quando criança teve escarlatina, o que afectou permanentemente a sua visão. Mudou-se com a família, em 1830, para Albany, onde frequentou a Albany Academy. Após a morte do pai, em 1832, teve de trabalhar inicialmente como bancário, depois foi  professor e fazendeiro.
Em 1839, embarcou como ajudante no navio mercante St. Lawrence, com destino a Liverpool e, em 1841, no baleeiro Acushnet, a bordo do qual percorreu quase todo o Pacífico. Quando chegou às ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa, decidiu abandoná-lo para viver junto aos nativos. As suas aventuras como "visitante-cativo" da tribo de canibais Typee foram registadas no livro Typee, de 1846. Ainda em 1841, embarcou no baleeiro australiano Lucy Ann e acabou por unir-se a um motim organizado pelos tripulantes. Melville foi preso, tendo fugido pouco depois. Todos esses acontecimentos são descritos no seu segundo livro Omoo, de 1847. No final de 1841, embarcou no Charles & Henry, na sua última viagem, retornando a Boston como marinheiro, em 1844. Os seus dois primeiros livros renderam-lhe muito sucesso da crítica e público e certo conforto financeiro.

Em 1849, lançou o seu terceiro livro, Mardi, que se inicia como uma aventura. No entanto, desenvolve-se de modo mais introspectivo, desagradando ao público. Retomou a antiga fórmula, lançando duas novas aventuras:Redburn (1849) e White-Jacket (1850). Nos seus novos livros já era possível reconhecer o tom visivelmente mais melancólico que adoptaria a seguir.

Moby Dick
 é publicado em Londres, em 1851. O fracasso de vendas de Moby Dick fez com que o seu editor recusasse o manuscrito, hoje perdido, The Isle of the Cross (A Ilha da Cruz).
Moby Dick foi vitima de todo tipo de interpretação, mas os elementos culturais da obra deixam claro o tipo predominante de abordagem. Pode-se perceber na mistura de etnias da tripulação do baleeiro, a presença de culturas distintas que chegaram aos Estados Unidos desde o ‘boom’ da industrialização. Com os imigrantes vieram também as suas crenças. Esta era a realidade em 1891. A interpretação do narrador gira principalmente em torno de uma característica da baleia – a sua brancura, à qual o autor dedica um capitulo inteiro, simbolizando a própria pureza da vida cristã da nação norte-americana.
Os temas abordados representam as condições humanas: aventura, ciência, metafísica, filosofia, a sujeição do homem à lei do mais forte, a fúria da natureza, bem como o juízo divino sobre o homem. Moby Dick serve também como critica aos preconceitos da época visto que o país estava a perder a sua “identidade nacional”, devido à mistura de culturas. Portanto, o universo de Moby Dick não une os homens do navio baleeiro mas separa-os levando-os à ruína total.
O livro foi revolucionário para a época, com descrições imaginativas das aventuras do narrador, Ismael, as suas reflexões pessoais, e trechos de não-ficção, sobre assuntos, como baleias, métodos de caça, arpões, detalhes sobre as embarcações e funcionamentos, armazenamento de produtos extraídos das baleias.
A obra foi inicialmente mal recebida pelos críticos e pelo público, mas com o passar do tempo tornou-se uma das mais respeitadas da literatura em língua inglesa, e seu autor é agora considerado um dos maiores escritores norte americanos.
A história começa quando Ismael resolve trabalhar na marinha mercante,  instalando-se na hospedaria “O espiráculo”, onde conhece Queequeg. Embarcam no navio The Pequod, mas antes Ismael recebe um aviso que o capitão, Ahab, é louco, possui “demónios”. E anuncia que tem um único e verdadeiro ódio: a baleiaMoby Dick. Quando Ismael  vê pela primeira vez o capitão fica espantado: descobre que o capitão perdeu uma perna pela acção do monstro.
A viagem dura três longos anos de relação com o capitão Ahab. E não só, havia tripulantes de todas as origens.
Durante a viagem a batalha entre a razão humana e animal começa. No fim da batalha, o Pequod é destruído. Ismael é o único sobrevivente e não tem mais nenhuma atracção em voltar ao mar à procura de baleias. EmMoby Dick, a loucura obsessiva de Ahab contagia toda a tripulação, até os mais prudentes e cautelosos. Era assim que Melville via a América, uma nação democrática e progressista, sendo arrastada para as trevas e para a loucura colectiva por causa da demência e obsessão de um só homem.
Melville lançou Moby Dick aos 32 anos. Nesta obra investiu todo o talento e erudição, buscando resgatar a sua reputação literária. De acordo com o seu biógrafo, o dia do lançamento foi o mais feliz da vida da Melville.
Contudo, chegavam a Boston as primeiras resenhas dos jornais de Inglaterra, onde o livro havia sido publicado um mês antes. A obra foi destroçada pelos críticos. Depois de Moby Dick nem mesmo a reputação de escritor resistiu. Sepultou a carreira literária do autor. Passou os 40 anos seguintes no anonimato. Quando morreu, ninguém dele se lembrou.
Fontes: Opera Mundi
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Herman Melville, 1870
 
Percurso fictício do Pequod, barco onde se passa a maior parte da saga de Moby Dick

28 de Setembro de 1864: Karl Marx organiza, em Londres, a I Internacional

O dia 28 de Setembro de 1864 marca a fundação em Londres da Associação Internacional de Trabalhadores, historicamente conhecida como a Primeira Internacional. A Internacional  defendia a rápida abolição dos exércitos nacionais, o direito à greve e a colectivização dos meios de produção. As suas actividades foram interrompidas pela guerra de 1870, porém retoma os trabalhos em 1889 no Congresso de Paris, já sob o nome de Segunda Internacional.
Nos primeiros anos da década de 1860, a conjuntura internacional fez com que lideranças sindicais e activistas socialistas começassem a pensar em fundar uma organização que reunisse os sentimentos universais a favor da luta dos trabalhadores e das nações oprimidas.

Num dia de Setembro de 1864, um jovem trabalhador francês,  Victor Le Lubez, bateu à porta de Karl Marx em Londres, onde vivia. Solicitou-lhe que lhe indicasse um nome de alguém da classe trabalhadora que falasse alemão para uma reunião organizada por sindicalistas ingleses e franceses. Marx prontamente indicou Johann Eccarius, um alfaiate bastante sério e que se saiu a contento.  

A associação internacional dos trabalhadores começou a tomar corpo, Marx, embora abalado com a morte em romântico duelo de Ferdinand Lassalle, o líder dos socialistas alemães e fundador da primeira organização de trabalhadores na Alemanha (a Allgemeinen Deutschen Arbeitervereins), resolveu estar presente no Matins’s Hall em Londres, onde a associação foi anunciada. 
Uma conjugação virtuosa de acontecimentos internacionais sacudiu a letargia e as discussões intermináveis em que o mundo revolucionário e sindical se encontrava. Em 1861, o condottiero italiano Giuseppe Garibaldi ao comando das suas tropas envergando camisas vermelhas, ocupara a Sicília e integrara-a, juntamente com Nápoles, no Reino da Itália ainda em formação. O mundo espantou-se com a ousadia daquela acção levada a cabo por tão poucos. A unificação da península foi a primeira derrota depois de muitos anos das forças ultraconservadoras da Europa de então: a Igreja Católica e o Império Austro-húngaro. A isso se somou a notícia do início da Guerra de Secessão nos Estados Unidos e a abolição da escravatura, a rebelião polaca de 1863 contra o domínio czarista. Em todos esses acontecimentos, houve uma notável onda de solidariedade internacional por aqueles que lutavam a favor da causa da liberdade. 

Impactados com o que ocorria no mundo, vários sindicalistas ingleses como George Odger, Cremer e Wheeler, trataram então de dar procedimento à fundação de uma instituição que captasse e canalizasse o sentimento de fraternidade que então brotava: a International Working Men´s Association. Marx, testemunha do evento, confessou a Engels em carta de 4 de Novembro de 1864, que “permaneceu o tempo inteiro como uma figura muda”, o que não deveria ser fácil para um homem tão loquaz. Após os discursos elegeu-se um Conselho Geral.,com trabalhadores de várias procedências. Marx, indicado como secretário, era o mais célebre. 

A Primeira Internacional Socialista era uma confederação de tendências ideológicas as mais diversas. Além dos sindicalistas puros que não queriam envolver-se na política, havia os proudhonianos, os republicanos, os democratas radicais seguidores de Mazzini, antigos cartistas ingleses, blanquistas franceses e alemães, seguidores de Lassalle. Solicitaram a Marx que redigisse uma declaração de princípios e os estatutos provisórios. 

Quanto ao programa de lutas, ele implicava numa série de reivindicações e propostas, que foram sendo acrescentadas ao longo da curta existência da Primeira Internacional, entre eles: a permanente solidariedade a todos os trabalhadores e às suas lutas; a promoção do trabalho cooperativo; redução da jornada das mulheres e das crianças; difusão da lei da jornada de 10 horas pelo restante das nações; estímulo à organização sindical; o estabelecimento de um Polónia livre e democrática, bem como defesa da autodeterminação das nações, opondo-se firmemente "às imensas usurpações realizadas sem obstáculo por essa potência bárbara, cuja cabeça está em São Petersburgo (a Rússia czarista); exigir que "as sensíveis leis da moral e da justiça, que devem presidir as relações entre indivíduos, sejam as leis supremas das relações entre as nações". 
O Conselho Geral da Internacional Socialista foi formado por George Odger (Presidente; George Wheeler (tesoureiro); Karl Marx (secretário pela Alemanha); G.Fontana (pela Itália); J. Holtorp (pela Polónia); Herman Jung (pela Suíça); P. Lebez (pela França). Desnecessário lembrar que foi Karl Marx quem se tornou a alma da organização, trazendo para perto de si gente da sua confiança e, em geral, intelectualmente qualificada para assumir a responsabilidade da divulgação e da enorme correspondência. Para as classes privilegiadas, para os grandes proprietários, os banqueiros, o grande empresariado e mesmo para as classes médias daquela época, o “demónio” passou a ser mais visível, passou a ter um só nome: a Internacional Socialista, dirigida pelo Doutor Vermelho, Karl Marx. 
Fontes: Opera Mundi
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Karl Marx

O primeiro congresso, em 1864 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

27 de Setembro de 1915: Morre Ramalho Ortigão, escritor e jornalista português, um dos principais nomes da geração de 70, autor de "As Farpas" e de "O Mistério da Estrada de Sintra", com Eça de Queiroz.

Homem de letras português, um dos vultos mais destacados da Geração de 70, José Duarte Ramalho Ortigão nasceu a 24 de Outubro de 1836, no Porto , e morreu a 27 de Setembro de 1915, em Lisboa . Oriundo de uma família abastada da burguesia portuense e filho de um combatente pela causa liberal, Ramalho conviveu durante a infância com o ambiente rural da casa da avó materna, tendo sido criado, como confessa, "como um pequeno saloio". Na adolescência, enquanto convalescia de uma febre, tomou contacto com as Viagens na minha Terra , obra que o impressionou tanto que foi a partir da sua leitura que compreendeu que "tinha de ser fatalmente um escritor". Frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra e, aos dezanove anos, começou a leccionar francês no Colégio da Lapa, dirigido pelo seu pai, onde teve como aluno Eça de Queirós, futuro amigo e companheiro de lides literárias. Durante a década de 60, colaborou em vários periódicos, como a Gazeta Literária do Porto , a Revista Contemporânea e o Jornal do Porto , de que foi redactor. Foi precisamente neste último que, em 1866, publicou o folheto Literatura de Hoje , com que intervém na Questão Coimbrã . Ramalho, que, quatro anos antes, a propósito da polémica suscitada pela Conversação Preambular de Castilho inserta no poema D. Jaime , de Tomás Ribeiro, se manifestara contra o chamado "Grupo do Elogio Mútuo", não deixa aqui de ser crítico para com o autor das Cartas de Eco a Narciso , mas acusa Antero e Teófilo de desrespeitarem o velho escritor. Como consequência, Antero desafiou e venceu Ramalho em duelo, datando curiosamente desse episódio o início da amizade entre os dois escritores e a aproximação gradual de Ramalho a esse grupo de novos intelectuais, que se traduziria na frequência do Cenáculo e na adesão às correntes ideológicas que marcaram essa geração, como o positivismo de Comte e o socialismo utópico de Proudhon. Depois de uma viagem a Paris, por ocasião da Exposição Universal de 1867, Ramalho publicou, no ano seguinte, as suas primeiras notas de viagem, Em Paris . Ainda no mesmo ano, mudou-se para Lisboa, onde assumiu o lugar de oficial de secretaria da Academia das Ciências e reencontrou o seu amigo Eça, já formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Em 1870, publicaram ambos O Mistério da Estrada de Sintra . Em 1871, não participando directamente nas Conferências do Casino Lisbonense , iniciou com Eça um novo projecto, que pretendia retomar a intenção crítica e de reforma social que norteou as Conferências: As Farpas . O início da redacção de As Farpas é, aliás, tido pelos críticos (entre os quais o próprio Eça, numa carta publicada na revista portuense A Renascença ) como um marco de transição na escrita de Ramalho, que teria passado de "folhetinista diletante" a "panfletário ilustre". Após a partida de Eça para Cuba, como cônsul, em 1872, Ramalho tomou nas mãos a redacção desses folhetins satíricos, cuja publicação até 1888 entremeou com a edição de livros de viagens: Pela Terra Alheia (1878-1880), A Holanda (1883), John Bull (1887) e, inspirados pelas viagens em Portugal, Banhos de Caldas e Águas Minerais (1875) e As Praias de Portugal (1876). Em todas estas obras, embora as imagens da França e da Inglaterra e os progressos das suas civilizações sejam contrapostos à decadência portuguesa, manifesta-se um apego à tradição nacional e a crença na possibilidade de regeneração. A partir de 1888, Ramalho começou a fazer parte das reuniões do grupo dos Vencidos da Vida. Em 1895, tornou-se bibliotecário do Palácio da Ajuda. Nos textos escritos perto do fim da vida e já depois de instaurada a República, que serão postumamente reunidos no volume Últimas Farpas , Ramalho manifestou a sua descrença no novo regime político. 
Dotado de um espírito cosmopolita, dândi, mundano, e simultaneamente, arreigado às tradições nacionais, Ramalho procurou sinceramente educar e civilizar a sociedade do seu tempo. A variedade dos seus escritos, o diletantismo do seu discurso, a leveza e propriedade do seu estilo, oscilando entre as notações estéticas, as digressões líricas, os apontamentos humorísticos espelham a fidelidade ao preceito de escrita e de vida enunciado na sua "Autobiografia" (in Costumes e Perfis ): "Maçar o menos possível que seja o meu semelhante, procurando tornar para os que me cercam a existência mais doce, o mundo mais alegre, a sociedade mais justa, tem sido a regra de toda a minha vida particular. O acaso fez de mim um crítico. Foi um desvio de inclinação a que me conservei fiel. O meu fundo é de poeta lírico." 

Fontes: Ramalho Ortigão . In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Ramalho Ortigão

Excerto de "As Farpas"





"Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A práctica da vida tem por única direcção a conveniência. Não há pprincipio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o lucro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinhas e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora; a população ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido! Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, no moral, o país está desorganizado-e pede-se conhaque!"


in Farpas, por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, com publicação em Junho de 1871.

27 de Setembro de 1917: Morre o pintor francês Edgar Degas.

Pintor francês, nascido a 19 de julho de 1834 e falecido a 27 de setembro em 1917, ligado à geração do Impressionismo, mas que dificilmente pode ser considerado um verdadeiro impressionista. Assimilou a lição das obras dos velhos mestres, nas viagens por Itália, e conservou a admiração por Ingres, no traço e no estilo linear. Degas apreciava tudo o que era fora do comum. Chocava por uma paleta discordante, nos dizeres do público da época, em que era capaz de colocar lado a lado um violeta intenso e um verde ácido. A escolha dos temas era frequentemente pouco convencional. Influenciado pela estética naturalista, retratou a vida parisiense, nos seus vícios, como em O Absinto (1876-77), e costumes. A frequência da vida noturna de Paris, e principalmente da Ópera, levou-o a multiplicar os ângulos de visão e os enquadramentos insólitos, que mais tarde o cinema e a fotografia iriam banalizar. Em A Bailarina (1876), Degas exprime a beleza fugidia da dança, e neste aspeto pode considerar-se que está a ser "impressionista". Embora a bailarina se encontre completamente à direita, a composição é assimetricamente equilibrada pela mancha escura do que será o chefe do corpo de baile.
Tradicionalmente, a arte ocidental respeita a unidade de composição. As formas surgem ligadas a outras formas, criando um movimento ou um conjunto de linhas no espaço. A arte oriental, pelo contrário, baseia essa relação no acentuar de certos grafismos ou cores e levando em linha de conta o espaço "entre", o vazio. Degas não deixou de tomar conhecimento da exposição de gravuras japonesas realizada em Paris em 1860, assimilando o delicado traço das composições. Os objetos deixam de ser olhados como objetos em si, a retratar fielmente, mas são representados pelas qualidades pictóricas que podem emprestar ao conjunto do quadro. Nas numerosas versões de Depois do Banho, é desenvolvido o tema de mulheres fazendo a toilette. O pintor experimenta vários processos técnicos: a aguarela, o pastel, a água-forte, a litografia, o monotipo. Nos últimos anos, devido às dificuldades de visão, trabalhou quase exclusivamente com cera, pastel e barro. A sua paleta ganhou mais força e luminosidade, enquanto as formas se simplificaram.

Edgar Degas. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.
wikipedia (Imagens)




Arquivo: Degas, Edgar, par Carjat, álbum Manet, BNF Gallica.jpg
Edgar Degas (1860)
Arquivo: Edgar Degas auto-retrato 1855.jpeg
Auto retrato - Edgar Degas

Arquivo: Hilaire Germain Edgar Degas 021.jpg
A Aula de Dança - Edgar Degas
Ficheiro:Edgar Degas Place de la Concorde.jpg
Place de la Concorde - Edgar Degas





O Absinto - Edgar Degas