segunda-feira, 28 de maio de 2018

28 de Maio de 1926: Golpe militar em Portugal comandado pelo general Gomes da Costa, com Mendes Cabeçadas e Óscar Carmona. A I República é derrubada.

Golpe de Estado, protagonizado sobretudo por militares e civis antiliberais (embora estivessem também implicados elementos do Partido Democrático), que provocou a queda da Primeira República Portuguesa e instaurou a Ditadura Militar. O golpe teve antecedentes, destacando-se o movimento ocorrido a 18 de abril de 1925.
Devido a um crescente descontentamento dos portugueses com a política do Partido Democrático que, desprovido da sua ala radical, se tornou num partido conservador e corrupto, alheio às causas da justiça social dos trabalhadores, vários grupos conspiraram contra o Governo. Esta atividade resultou no movimento militar que eclodiu em Braga, sob a direção do general Gomes da Costa (1863-1929), que ficou conhecido como o 28 de maio de 1926. Os protagonistas foram os militares da 8.ª Divisão, que marcharam sobre Lisboa, levando à queda do Governo e ao fim da Primeira República.
Este movimento contava com apoios muito heterogéneos, desde as fações mais conservadoras aos republicanos críticos do Partido Democrático. Em consequência da marcha sobre a capital, o Governo - sob a chefia de António Maria da Silva - demitiu-se; o presidente da República, Bernardino Machado, abdicou também do seu lugar em favor do almirante José Mendes Cabeçadas, afastado por Gomes da Costa algumas semanas depois. Em julho de 1926, Gomes da Costa foi deposto e a chefia ficou entregue aos generais Carmona (1869-1951) e Sinel de Cordes (1867-1930).
O Congresso foi dissolvido e a Constituição suspensa. Instaurou-se então uma ditadura militar, na qual o Governo ficou com os poderes do Parlamento e do Ministério (Presidência do Conselho de Ministros), tendo toda a autonomia legislativa. Foi na sequência deste golpe que chegou a presidente da República o general António Carmona e que se criaram os alicerces políticos e institucionais da ditadura que governou Portugal até aos inícios dos anos 70.
Vinte e Oito de maio de 1926. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
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Gomes da Costa e as suas tropas desfilam vitoriosos em Lisboa (6 de Junho de 1926)



28 de Maio de 1911: Carolina Beatriz Ângelo torna-se na primeira mulher portuguesa a votar nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte

Médica, republicana e feminista, (Carolina) Beatriz Ângelo nasceu em 1877, na Guarda, cidade onde realizou os seus estudos liceais. Já em Lisboa, ingressou nas Escolas Politécnica e Médico-Cirúrgica, tendo terminando o curso no ano de 1902.


Na sua carreira médica destaca-se o facto de ter sido a primeira mulher portuguesa a operar no Hospital de São José, sob a direcção de Sabino Maria Teixeira Coelho. Trabalhou ainda no Hospital de Rilhafoles, sob a orientação de Miguel Bombarda, e dedicou-se à Ginecologia, com consultório na baixa lisboeta. A atividade profissional de Beatriz Ângelo foi conciliada com uma intervenção política e social intensa e marcante. Foi uma das principais ativistas da sua época, defensora dos direitos das mulheres, tendo lutado por causas como a emancipação das mulheres e o sufrágio feminino. 



A sua militância em organizações defensoras dos direitos das mulheres iniciou-se em 1906 no Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes. Em 1907 foi iniciada na Maçonaria, ano em que esteve também envolvida no Grupo Português de Estudos Feministas. Em 1909 fez parte do grupo de mulheres que fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defensora dos ideais republicanos, do sufrágio feminino, do direito ao divórcio, da instrução das crianças e de direitos e deveres iguais para homens e mulheres. 



Na revolução de 5 de Outubro de 1910 tem associado à sua pessoa o simbolismo de ter participado na confeção das bandeiras hasteadas, obra de que foi encarregada por Miguel Bombarda. Já depois da implantação da república, esteve envolvida na fundação da Associação de Propaganda Feminista, em Maio de 1911. Esta associação, que chegou a dirigir, teve origem na cisão da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas por questões relacionadas com a tolerância religiosa e o sufrágio feminino. No âmbito da Associação de Propaganda Feminista projetou a criação de uma escola de enfermeiras, o que é referido como mais uma manifestação da sua preocupação com a emancipação das mulheres. 



Beatriz Ângelo foi também a primeira mulher a votar em Portugal. Numa altura em que o direito de voto era concedido aos cidadãos portugueses, maiores de 21 anos, sabendo ler e escrever e chefes de família, a persistência de Beatriz Ângelo, a ambiguidade da lei e facto de trabalhar, ser viúva e ter a seu cargo uma filha, permitiram-se lutar pela defesa do seu direito. Votou em Lisboa, em 28 de Maio de 1911, para eleição dos deputados da Assembleia Constituinte, ato amplamente noticiado em Portugal e felicitado em diversos países do mundo pelas associações feministas. Em 1913, a lei eleitoral portuguesa foi alterada, consagrando o direito de voto a cidadãos portugueses do sexo masculino.



Beatriz Ângelo foi sem dúvida uma mulher marcante na história portuguesa, com um percurso interrompido pela sua morte prematura. Morreu aos 33 anos, em 3 de Outubro de 1911.
Fontes: www.arquivo.guarda
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Carolina Beatriz Ângelo

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Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório (esquerda), primeira eleitora portuguesa e presidente da Liga das Sufragistas Portuguesas 

 

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Segunda página do Artigo "Estão eleitas as constintuintes: A eleição em Lisboa", na revista semanal "Illustração Portugueza" (com o Jornal O Século), N.º 276, página 12 (714),Lisboa, 5 de Junho de 1911

28 de Maio de 1884, inauguração do Jardim Zoológico de Lisboa

O Jardim Zoológico de Lisboa abriu ao público em 1884 no Parque de São Sebastião da Pedreira, por iniciativa de Pedro van der Laan e José Thomaz Sousa Martins, que contaram com o apoio do rei D. Fernando e do zoólogo e poeta José Vicente Barboza du Bocage. O jardim zoológico, o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica, foi transferido em 1905 para a Quinta das Laranjeiras, onde se fixou definitivamente.
Este parque, para além de servir para entretenimento e diversão, tem preocupações a nível de conservação da Natureza, nomeadamente através da educação.
Ao todo tem mais de 350 espécies animais, entre mamíferos, aves, répteis e anfíbios. As principais atrações são elefantes, pinguins, macacos, pandas, leões, golfinhos, focas, coalas e o Reptiliário, um espaço para répteis. Os golfinhos são protagonistas de espetáculos diários num espaço próprio, a Baía dos Golfinhos, juntamente com leões-marinhos e focas.
O zoo está ainda dotado de restaurantes, bares, loja, teleférico e de um parque de animação com cinema a três dimensões, jogos de vídeo, carrossel, barcos telecomandados e um lago.
O parque foi fornecido com bastantes animais oriundos de África e do Brasil, o que permitiu a obtenção de uma coleção bastante diversificada de espécies exóticas. Estes animais eram enviados por governadores das antigas províncias ultramarinas portuguesas.
Após a revolução do 25 de abril de 1974 e consequente independência das colónias portuguesas, diminuíram substancialmente as remessas de animais. Esta situação, associada ao corte de apoios estatais, levou a que o Jardim Zoológico não pudesse renovar o parque animal, levando a uma diminuição de público.
Em 1990, o Conselho de Administração do espaço adotou uma nova política e procedeu à modernização do espaço e dos serviços de apoio, nomeadamente no que se refere às condições de vida dos animais. Assim, foi aumentada a coleção de animais e melhoradas as condições a nível de instalações, alimentação e serviços veterinários. Paralelamente, foram criados serviços comerciais, de marketing, de relações públicas e de imprensa, tendo em vista captar mais público.
A nível de visitantes, a administração criou um serviço de promoção para a conservação através de um Centro Pedagógico.
O Jardim Zoológico foi distinguido pela Câmara Municipal de Lisboa,em 1952, com a Medalha de Ouro da Cidade.
Jardim Zoológico de Lisboa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012.







Mais fotos podem ser consultadas aqui

28 de Maio de 1871: Acaba a Comuna de Paris, derrotada pelas forças de Versalhes, depois de dois meses e dez dias de luta

No dia 28 de Maio de 1871, ao longo da chamada “Semana Sangrenta”, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao preço de várias dezenas de milhares de execuções e prisões, Adolphe Thiers podia-se vangloriar de ter libertado o país da “questão social”, tema que permaneceria ausente da cena política francesa até 1936.
Dez semanas antes, a 18 de Março, os parisienses viviam subjugados às tropas do governo, humilhados pela derrota do seu país diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de sítio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e tinha-se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado assume o poder na capital, dando origem à Comuna de Paris.

No entanto, desde a assinatura em 10 de Maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obtém da Prússia a libertação antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lança imediatamente contra a capital cinco batalhões do Exército. Eram 130 mil homens, entre presos e camponeses, recrutados e treinados à pressa para enfrentar a “canalha vermelha”.

As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards só puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de Abril. Em 10 de Maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das operações militares.

Após ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lança um assalto decisivo no dia  21 de Maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avanço lento e prudente nas ruas de Paris. Após violentas explosões, o bairro de Belleville, a leste, foi o último a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governamentais seriam mortos.

Mais além, houve ainda as vítimas da repressão: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas às grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas mãos. Os réus eram fuzilados no próprio lugar.

O Muro dos Federados, no cemitério Père Lachaise, conserva a lembrança de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cadáveres que foram sepultados numa vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos às detenções de Versalhes, o general Marquês de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzilá-los. Isso pela simples suspeita de que já haviam participado da revolução de Junho de 1848.

Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 reféns. Também criariam focos de incêndio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos históricos, como o Palácio das Tulherias, o Palácio de Justiça gótico, o Hotel de Ville, o Palais-Royal e o Palácio d'Orsay. Das ruínas deste último foi construída a estação de comboios  que foi palco da Exposição Universal de 1900. Preciosas colecções de arte e arquivos de valor incalculável desapareceriam durante a Semana Sangrenta.


O balanço final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil vítimas e 38 mil prisões, sem contar as penas jurídicas: tribunais pronunciariam até 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condenações à morte e cerca de 10 mil deportações. As leis de amnistia só viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco, os  prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto os exilados poderiam retornar ao país.
Fontes: Opera Mundi
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Barricadas erguidas pelos communards em frente à Igreja da Madalena
Os trajes dos Communards


As figuras da Comuna

domingo, 27 de maio de 2018

27 de Maio de 1937: Abre ao tráfego a Ponte Golden Gate de São Francisco.

A Golden Gate Bridge  é uma ponte localizada no estado da Califórnia, nos Estados Unidos, que liga a cidade de São Francisco a Sausalito, na região metropolitana de São Francisco, sobre o estreito de Golden Gate. A ponte é o principal cartão postal da cidade, uma das mais conhecidas construções dos Estados Unidos, e é considerada uma das Sete maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis.
História da ponte
Obra do engenheiro Joseph Strauss, a Golden Gate Bridge  distingue-se das demais pela cor, oficialmente denominada "laranja internacional", e escolhida sobretudo para garantir a sua visibilidade para os marinheiros.
A construção da ponte durou quatro anos. Com 2.737 metros de comprimento, tem 27 metros de largura e suas duas torres chegam a 230 metros.
A ponte também é acessível a pedestres e ciclistas, o que facilitou muitos suicídios ao longo dos anos. Segundo o jornal local San Francisco Chronicle, 1.218 pessoas saltaram da Golden Gate entre 1937 e Abril de 2006.

Fontes: Band
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A ponte vista do Baker Beach



27 de Maio de 1905: Guerra Russo - Japonesa, o Japão derrota a Rússia na Batalha de Tsushima

No dia 27 de Maio de 1905, a frota de guerra japonesa derrota uma frota de guerra russa vinda do Báltico. A batalha naval desenrola-se ao largo das ilhas Tsushima, no braço de mar que separa a Coreia do Japão.
Era a primeira vez que um Estado do porte da Rússia se via derrotado por uma potência asiática. Esse facto sem precedentes iria relançar os movimentos anticolonialistas na Ásia, em particular nas Índias submetida aos britânicos, os quais imprudentemente encorajaram a agressão japonesa.
O conflito teve a sua origem na rivalidade entre a Rússia do czar Nicolau II e o Japão do imperador Mutsuhito. Ambos queriam erguer um império colonial para equipararem-se às grandes potências ocidentais. O seu alvo comum era a China.
A Rússia conquista a primeira vitória ao ocupar a província chinesa da Manchúria e a quase ilha de Liaotung a favor da Revolta dos Boxeurs. Ali instala uma sólida guarnição em Port-Arthur, na extremidade da quase-ilha. Contudo, a Inglaterra do rei Eduardo VII irrita-se com este expansionismo. Avisa o Japão que só não interviria na guerra se o Japão atacasse a Rússia. Assim, Port-Arthur é atacado sem prévia declaração de guerra na noite de 7 para 8 de Fevereiro de 1904 — os japoneses repetiriam a táctica contra os norte-americanos em Pearl Harbor, em Dezembro de 1941.
A armada do almirante Heihashiro Togo afunda sete navios russos quando ainda estavam ancorados, enquanto 8 mil soldados japoneses desembarcavam na Coreia, marchando em seguida em direcção a Seul. Em 2 de Janeiro de 1905, a guarnição russa de Port-Arthur capitula. Após a batalha de Mukden, o Exército russo teve de abandonar a Manchúria. O gosto amargo da derrota foi um dos factores na origem da ‘Revolução Sangrenta’ em São Petersburgo de domingo 22 de Janeiro de 1905. O núcleo da autocracia russa foi severamente atingido.
O Japão, se bem que já no limite de suas forças, praticamente tinha ganho a guerra quando a frota russa do Báltico chega às suas águas. Sob o comando do almirante Rojdestvenski, levou oito meses para contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança e subir em direcção ao Extremo Oriente.
O almirante Heihashiro Togo corta-lhe a rota e destrói a sua armada ao cabo de uma batalha de dois dias.
Dos 45 navios russos, somente dois contratorpedeiros e um cruzador conseguem escapar do desastre e ganham o porto russo de Vladivostok. Seis outros pequenos barcos de guerra refugiam-se em portos neutros, onde são desarmados. Os demais foram afundados ou capturados pelos japoneses.
Perto de 5 mil russos são mortos e 6 mil feitos prisioneiros, entre os quais dois almirantes. Os japoneses só tiveram de lamentar a perda de 3 contratorpedeiros e 700 homens.
O czar não teve outra saída se não aceitar a mediação do presidente norte-americano Theodore Roosevelt. Ele abre em 5 de Setembro as negociações que conduziriam a uma paz humilhante para Moscovo e que foi assinada em Portsmouth, Estados Unidos.

 Fontes: Opera Mundi
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almirante Togo na ponte do Mikasa, no início da batalha de Tsushima, em 1905. A bandeira sendo içada é a letra "Z", que era uma instrução especial para a armada
Mapa mostrando as rotas de ambas as frotas.

27 de Maio de 1963: Morre o escritor português Aquilino Ribeiro, autor de "Terras do Demo" e "Andam Faunos pelos Bosques".

Ficcionista, autor dramático, cronista e ensaísta português, nasceu em Sernancelhe, na Beira Alta, a 13 de setembro de 1885, e faleceu em Lisboa, a 27 de maio de 1963. Passados 44 anos da sua morte, em setembro de 2007, os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.
Estudou em Lamego e em Viseu, e em 1901 foi para Lisboa. Ex-seminarista, dedicou-se ao jornalismo, tendo colaborado, entre outras publicações, com Jornal do Comércio, O Século, A Pátria, Ilustração Portuguesa, Diário de Lisboa, República, e pertencido ao grupo que, em 1921, fundou Seara Nova. Ligou-se ao movimento republicano e interveio ativamente na revolução, chegando mesmo a ser preso. Fugiu para Paris, frequentou a Sorbonne e escreveu o seu primeiro livro, intitulado Jardim das Tormentas (1913).
Regressado a Portugal depois da eclosão da Grande Guerra em 1914, exerceu a carreira de professor e foi conservador na Biblioteca Nacional até 1927. Obrigado de novo, por razões políticas, a sair do País, regressou definitivamente em 1933.
A evocação de peripécias da sua existência em algumas das obras ficcionais impõe, na análise da novelística de Aquilino, a apreensão de uma inspiração autobiográfica (nomeadamente em volumes como Cinco Réis de Gente, Uma Luz ao Longe, Lápides Partidas, O Homem que Matou o Diabo, entre outros), ao mesmo tempo que os seus escritos de índole memorialista (É a Guerra, Alemanha Ensanguentada, Um Escritor Confessa-se), no registo impressivo de décadas durante as quais o país e a Europa sofrem profundas convulsões, constituem um testemunho histórico precioso no esboço da história de uma metade de século tragicamente protagonizada por "guerras, ditaduras, revoluções, morticínios, [...] inocências e desenganos, bateladas de mortos" (cf. "Nota preliminar a O Malhadinhas, Amadora, 1958).(...)
Foi, em 1956, eleito o primeiro presidente da Associação Portuguesa de Escritores, como prova do reconhecimento de que a sua obra gozava, mas também do consenso reunido à volta de uma figura tornada carismática pela sua postura cívica quase heroica. No momento em que se preparava para ser alvo de uma homenagem pública nacional, promovida por várias cidades e sugerida pelo cinquentenário da publicação de O Jardim das Tormentas, morreu subitamente, em 1963.
A vastíssima obra de Aquilino Ribeiro abrange domínios variados que vão do romance, da novela e do conto às memórias, aos estudos etnográfico e histórico, à biografia, à polémica ou à literatura infantil.
Vários caracteres distinguiram, desde o momento da sua estreia e ao longo de mais de seis dezenas de volumes, o lugar singular que Aquilino veio ocupar na narrativa contemporânea; desses traços, o mais evidente seria, ao nível do estilo, a tendência para a integração de um manancial vocabular regional na sua própria escrita, efeito que, conjugado com a erudição e atravessando coloquialmente todos os níveis de discurso (direto, indireto, indireto livre), se é certo que levantava certos obstáculos de legibilidade - em 1988, o Centro de Estudos Aquilinianos editou um Glossário Aquiliniano -, dotava também os seus romances e narrativas curtas de certo casticismo linguisticamente sugestivo, na evocação do ambiente da Beira serrana nas primeiras décadas do século. Indiferente aos contextos histórico-literários que foram seus contemporâneos (modernismo e, posteriormente, presencismo e neorrealismo), a obra de Aquilino foi recebida quer com entusiasmo pelos leitores que nela auscultavam a imagem de um Portugal ancestral, perdido num tempo e num espaço genesíacos, não propriamente utópicos, mas onde a ação do homem dependia da natureza, dos instintos, de uma religiosidade popular próxima da crendice e da superstição, em suma, da sua integração no cosmos, anterior à fratura com a civilização e com a entrada na época contemporânea; quer de forma redutora pelos que acusariam a sua falta de universalismo, o carácter pouco espontâneo e barroco da sua expressão linguística, a sua oposição à modernidade na manutenção dos moldes de composição tradicionais.
De entre os numerosos títulos que Aquilino publicou, merecem especial destaque Terras do Demo (1919), O Malhadinhas (primeira versão em 1922), Andam Faunos pelos Bosques (1926), O Romance da Raposa (1929), Cinco Réis de Gente (1948), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1959).
Aquilino Ribeiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. 
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Aquilino Ribeiro

Arquivo: AquilinoRibeiro.jpg
Aquilino Ribeiro - Pintura por Bottelho